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Não vemos as coisas como são, mas como nós somos

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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A realidade raramente entra limpa nos olhos de alguém.

Antes dela, sempre chega a história interna.
A ferida antiga.
O medo ainda ativo.
A vaidade que filtra.
A carência que exagera.
A arrogância que distorce.
A insegurança que suspeita de tudo.

Por isso tanta gente jura estar enxergando fatos, quando na verdade está apenas projetando a própria estrutura sobre o mundo.

Uma pessoa em paz percebe nuance.
Uma pessoa ferida percebe ameaça.
Uma pessoa amarga percebe afronta.
Uma pessoa madura percebe contexto.

O objeto continua ali.
Mas o olhar já mudou tudo.

Essa é uma das verdades mais desconfortáveis da vida: quase nunca se reage apenas ao que aconteceu. Reage-se ao que se é por dentro no momento em que aquilo acontece. É por isso que a mesma situação inspira gratidão em alguns, indiferença em outros, e revolta em tantos mais. O acontecimento participa. A interioridade decide a leitura.

Muita gente quer interpretar melhor a vida sem revisar a própria lente.
Quer paz sem limpar o ressentimento.
Quer clareza sem encarar a própria confusão.
Quer relações mais honestas sem tocar nos próprios excessos emocionais.

Mas percepção também é caráter.
Percepção também é estado interno.
Percepção também denuncia o nível de consciência de quem observa.

Quando o interior está desorganizado, até o que é simples parece hostil.
Quando o interior amadurece, até o que dói pode ensinar.

Talvez por isso o grande trabalho de uma vida nunca tenha sido apenas mudar o cenário. Talvez o trabalho mais decisivo sempre tenha sido refinar quem olha. Porque, no fim, o mundo revela muito dele mesmo, mas revela também, com precisão implacável, a qualidade espiritual, emocional e moral de quem o contempla.

 

Por @diarioespirita1

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