Editorial do Jornal Troca-Troca: Egocentrismo levou Trump à sinuca de bico
Nos anos 70, mais especificamente em 1973 e em 1979, o mundo viveu uma tenebrosa crise de energia gerada pelo petróleo. Em dois momentos o barril do petróleo aumentou em até 5 vezes o seu valor original, provocando tanto uma crise na distribuição mundial do produto, como uma crise na economia, já que os preços dos combustíveis aumentaram de forma extremamente exagerada.
Em 1973 a crise foi gerada a partir da Guerra do Yom Kippur, que durou 20 dias, e atingiu em cheio a comunidade judaica, pois iniciou justamente no dia do feriado mais importante dos judeus. Na época, uma coalizão militar, liderada por Egito e Síria, atacaram Israel. Na sequência, os Estados Unidos entrou no conflito ao lado de Israel, o que provou o embargo econômico com a não distribuição do petróleo do mundo árabe para os EUA e seus aliados. Já em 1979, a crise ocorreu no Irã, quando rebeldes derrubaram o monarca Reza Pahlevi e instalaram um governo teocrático, episódio que ficou conhecido com a Revolução Islâmica. Na época a economia ficou toda desorganizada, a produção do petróleo baixou e o preço do barril aumentou em 200%.
Esse conflito atual promovido por EUA e Israel contra o Irã, e a consequente reação deste, tem provocado uma série de ondas de ataques, sendo que muitos desses ataques contra poços de petróleo do mundo árabe. Irã identificou essa como a melhor estratégia para contra-atacar os americanos já que combater com poderio bélico seria impossível. Desta forma indiretamente jogou o mundo como um todo contra o Trump, pois maioria dos países estão em sofrimento econômico pela escassez de combustível. O Irã também bloqueou para os EUA e seus parceiros o acesso ao Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do Petróleo mundial. Diante de todo esse cenário, o mundo está apreensivo, pois estamos diante de uma nova crise do petróleo. O temor é justificado, pois com bloqueio do estreito de Ormuz e poços de petróleo pegando fogo, o barril do produto desde o início da guerra já aumentou em quase 50%. Claro que diferente dos anos 70, quando a distribuição do petróleo foi praticamente nula, neste atual conflito apenas uma das saídas do ouro negro para o mundo está sendo afetada, portando, ainda não se prevê uma falta do produto a curto espaço de tempo.
Infelizmente, a megalomania do presidente Donald Trump tem deixado o mundo de joelhos. Ele justificou que os ataques aconteceram para evitar que o Irã fabricasse uma bomba atômica. Mas se o ataque teve sucesso, os locais de possível beneficiamento de urânio foram destruídos, vistoriados tecnicamente e o líder morto, o conflito já não deveria ter acabado? O problema é que Trump vê monstros em cata-ventos (Don Quixote) e tem o objetivo de aniquilar essa parte do mundo árabe. Acontece, que o Irã não vai desistir. Esse país historicamente de guerreiros e envolvido em conflitos, vai continuar minando os poços de petróleo e praticando ataques de guerrilha. É muito mais fácil Trump aceitar a situação e dizer que os EUA atingiram sua meta, do que o Irã desistir do conflito.
Donald Trump já está sendo duramente questionado e criticado pelas suas ações. Exemplo disso é o próprio fato de países da OTAN terem negado seu pedido de enviarem navios de guerra para o estreito de Ormuz. A Europa entendeu que não tiveram qualquer participação pelo início da guerra, que não é dela e não quer se meter. O presidente norte-americano tem perdido apoio até mesmo dentro do seu país e até próprio partido.
O problema é, que enquanto o “reizinho” brinca de soldado no seu castelo, o mundo todo fica apreensivo e de joelhos. Mesmo não faltando petróleo de forma drástica e não sendo autorizado aumentos significativos pela Petrobrás, muitos postos de gasolina de forma abusiva, desrespeitosa e prevalecida estão reajustando o preço do litro do diesel (especialmente), e o pior, assustando a população ao dizer que vai faltar petróleo, o que não é verdade, pelo menos neste momento. Como não bastasse esses abusos nas bombas de combustível, agora já começamos a perceber reajuste desenfreados em outros setores, principalmente em mercados alterando preços de produtos alimentícios. Parece inacreditável mas: nossas vidas passam pelo petróleo…
Enfim, nos resta ficar na torcida de que alguma coisa ilumine a cabeça de certas lideranças mundiais, e esses possam tomar a iniciativa de novamente pacificar o mundo, caso contrário, corremos o sério risco de enfrentarmos novas crises petrolíferas e o pior, até mesmo uma crise econômica de proporções mundiais como a de 1929.