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Saúde

Dia Nacional da Nutrição: Primeira infância é decisiva para formação de hábitos alimentares, alertam especialistas

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A alimentação na primeira infância tem impacto direto no desenvolvimento físico e cognitivo das crianças e reflete na saúde ao longo da vida. No contexto do Dia Nacional da Nutrição, celebrado em 31 de março, o tema ganha ainda mais relevância ao destacar o papel das escolas na formação de hábitos alimentares. Em Passo Fundo, o planejamento da merenda escolar segue critérios técnicos e legais, com foco na oferta de alimentos saudáveis e na promoção da educação alimentar desde os primeiros anos.

A coordenadora do serviço de nutrição da Secretaria Municipal de Educação, Angélica Pulga, afirma que a primeira infância, especialmente até os seis anos de idade, é considerada uma fase determinante para a construção dos hábitos alimentares. Segundo ela, o cardápio escolar é elaborado com atenção a esse período e conta com mais de 50 itens, sendo a maior parte composta por alimentos in natura. Angélica destaca que cerca de 80% dos alimentos adquiridos vêm da agricultura familiar, o que contribui para a qualidade nutricional das refeições oferecidas nas escolas.

Ainda conforme a coordenadora, o planejamento do cardápio é feito de forma anual, com base na avaliação do que apresentou bons resultados no período anterior. A definição dos itens considera o número de refeições, o consumo por aluno e as diretrizes estabelecidas pela legislação vigente. O processo de compra inclui chamadas públicas para aquisição de produtos da agricultura familiar e pregões eletrônicos para outros itens. Ela ressalta que, ao longo dos anos, houve mudanças importantes, como a ampliação do número de refeições e a redução de alimentos ultraprocessados, além de restrições ao uso de açúcar, especialmente para crianças menores de três anos.

A nutricionista Cecília Franco de Oliveira reforça que o cardápio escolar segue as normas legais e que a alimentação saudável deve ser entendida como uma responsabilidade coletiva. Ela destaca que, além dos profissionais da área, professores, equipes escolares e famílias têm papel fundamental na construção de hábitos saudáveis. Cecília observa que a coerência entre o que é trabalhado na escola e o ambiente familiar é essencial para que a criança desenvolva uma relação equilibrada com a alimentação.

A nutricionista também chama atenção para o aumento de problemas de saúde entre crianças, como casos de obesidade, diabetes e hipertensão, que antes eram mais comuns na fase adulta. Segundo ela, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados tem contribuído para esse cenário. Cecília defende que a introdução de alimentos naturais desde cedo ajuda a formar o paladar e reduz a dependência de produtos com alto teor de açúcar e gordura. Ela ainda orienta que ações como festas escolares devem seguir a proposta de alimentação saudável, promovendo alternativas alinhadas à educação nutricional.