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Agricultura

Colheita da soja avança na região de Passo Fundo, mas produtividade e preços preocupam produtores

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

A colheita da soja segue em ritmo acelerado na região de Passo Fundo, com avanço significativo nos últimos dias favorecido pelas condições climáticas.  Conforme o engenheiro agrônomo Claudio Doro, cerca de 20% das lavouras já foram colhidas na região, índice superior à média estadual.

Ele destacou que, de acordo com dados da Emater, o Rio Grande do Sul registra aproximadamente 10% da área colhida.  Segundo Doro, há grande volume de áreas prontas para a colheita, o que deve manter o ritmo acelerado. As lavouras tardias também já entram em fase de maturação, e a previsão é de que, em um período entre 20 e 30 dias, os trabalhos estejam praticamente concluídos. Em relação à produtividade, Doro explicou que o cenário é bastante variável entre as propriedades.

Conforme ele, levantamentos realizados em municípios como Ernestina, Marau, Água Santa e Vila Maria apontam lavouras com rendimento entre 18 e 50 sacas por hectare, com poucos casos superando esse patamar. A média observada gira entre 32 e 38 sacas por hectare. Doro também explicou que a estiagem registrada entre janeiro e meados de fevereiro impactou diretamente o desempenho das lavouras, especialmente no período crítico de enchimento de grãos.

Regiões como Ernestina, Marau e áreas do interior de Vila Maria e Água Santa foram algumas das mais afetadas pela falta de chuvas, o que refletiu nos resultados da safra. Diante desse cenário, a avaliação é de que a atual safra não deve ser considerada plena. A tendência é de uma produção classificada entre regular e boa, com casos em que produtores relatam desempenho inferior ao do ciclo anterior, mesmo após um ano também marcado por adversidades climáticas.

Outro fator que agrava a situação no campo é o comportamento do mercado.  Os preços das principais commodities agrícolas registraram queda em relação ao ano passado.  A soja, que era comercializada na faixa de R$ 129, hoje está em torno de R$ 119, redução de cerca de 8%. O milho teve queda ainda mais acentuada, passando de R$ 70 para R$ 57, enquanto o trigo recuou de R$ 75 para aproximadamente R$ 60. Com custos elevados de produção, juros altos, combustível caro e instabilidade climática, o cenário é considerado desafiador para os produtores rurais, avaliou o agrônomo.