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Saúde

 Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia: doença ainda é subdiagnosticada e afeta milhões de brasileiros

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Foto ilustrativa/ reprodução internet

O dia 26 de março marca o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, data voltada a ampliar o conhecimento sobre a doença e combater a desinformação. Em entrevista, o neurologista Dr. Daniel Varela, do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, explicou como a condição se manifesta, os tipos de crises e os impactos na vida dos pacientes.

De acordo com o médico, a epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais no cérebro, que podem provocar crises com diferentes manifestações, como alterações de movimento, consciência, comportamento ou sensações. Ele destacou que existem crises generalizadas, que atingem todo o cérebro e costumam causar perda de consciência, e crises focais, que começam em uma área específica e podem evoluir para quadros mais amplos.

O especialista ressaltou que nem toda crise convulsiva significa epilepsia. Segundo ele, episódios isolados podem ocorrer por fatores como febre, consumo excessivo de álcool ou traumatismos. Para o diagnóstico da doença, é necessária a ocorrência de duas ou mais crises, com intervalo mínimo de 24 horas. O diagnóstico é clínico, complementado por exames como eletroencefalograma e ressonância magnética.

Dr. Daniel Varela também chamou atenção para a subnotificação. Ele informou que cerca de 50 milhões de pessoas convivem com epilepsia no mundo, sendo entre 2 e 3 milhões no Brasil. Muitas ainda não recebem diagnóstico ou tratamento adequado, o que pode impactar diretamente a vida escolar, profissional e social, especialmente em crianças.

Quanto às causas, o neurologista citou lesões cerebrais, acidentes vasculares, infecções, tumores e fatores genéticos, embora em muitos casos a origem não seja identificada. O tratamento é feito principalmente com medicamentos anticonvulsivantes, que costumam controlar as crises. Em situações específicas, podem ser indicadas cirurgia, estimulação cerebral ou dietas como a cetogênica.

Por fim, ele orientou sobre como agir diante de uma crise. A recomendação é manter a calma, proteger a cabeça da pessoa, colocá-la de lado e não introduzir objetos na boca. O atendimento médico deve ser buscado se a crise ultrapassar cinco minutos. O médico reforçou que, com acompanhamento adequado, muitos pacientes conseguem controlar a doença e ter qualidade de vida.