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O tóxico é você

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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Às vezes a gente passa anos tentando identificar o veneno fora, apontando dedos, listando defeitos, colecionando mágoas, como se o problema tivesse sempre um rosto do lado de lá. Mas existe um tipo de prisão que não tem grades visíveis, ela se chama repetição. É quando você insiste em voltar para o que te fere, em aceitar migalhas, em permanecer onde sua alma pede para ir embora. E então a frase dói, porque revela: o tóxico nem sempre é o outro, muitas vezes é a parte de nós que não aprendeu a se amar.

O que intoxica não é só a pessoa, é a dependência de ser escolhido. É a necessidade de provar valor para quem não tem delicadeza. É o hábito de se calar para não perder, de se diminuir para caber, de se culpar para manter a paz. A corrente não começa no tornozelo, começa na mente, quando você acredita que merece pouco, que não pode recomeçar, que não vai encontrar algo melhor.

Deus não te criou para viver amarrado ao que te apaga. Ele te chama para a cura, e cura exige coragem. Coragem para reconhecer padrões, para pedir perdão a si mesmo, para aceitar que algumas dores não são amor, são alerta. A vida espiritual não é só oração, é também escolha. Escolha de limites, escolha de dignidade, escolha de voltar para casa, e essa casa é você.

Se hoje essa imagem te tocou, talvez seja um convite. Soltar a corrente não acontece de uma vez, mas começa num instante: o instante em que você decide se tratar com respeito. Que Deus te dê lucidez para enxergar, força para sair e ternura para se reconstruir. E que, daqui em diante, você não confunda intensidade com sofrimento, nem carência com destino.

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