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Polícia

Paralisação na Polícia Federal afeta emissão de passaportes em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Bruno Reinehr
Passaporte brasileiro.

A mobilização nacional da Polícia Federal já provoca impactos diretos em serviços à população em Passo Fundo. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o delegado Matheus Mallmann confirmou a paralisação de atividades como emissão de passaportes, controle de armas e operações policiais, com manutenção apenas dos atendimentos considerados essenciais.

Segundo o delegado, a mobilização é liderada pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) e tem como principal objetivo pressionar o governo federal para a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC).

Mallmann explicou que novos agendamentos para passaportes estão suspensos, assim como processos relacionados a armas e atividades envolvendo CACs. Já os atendimentos previamente agendados seguem normalmente, além dos casos urgentes, como situações com risco à vida, flagrantes e proteção de menores.

No âmbito operacional, o delegado confirmou que investigações e operações policiais também foram afetadas. Apenas casos considerados prioritários seguem em andamento, como situações com prerrogativa de foro, flagrantes, risco iminente e combate ao tráfico de pessoas.

De acordo com ele, a criação do FUNCOC é vista como essencial para fortalecer o combate ao crime organizado no país. O delegado destacou que organizações criminosas movimentaram cerca de R$ 348 bilhões no último ano, enquanto o orçamento da Polícia Federal para essa área é inferior a R$ 2 bilhões.

Mallmann afirmou ainda que a Polícia Federal enfrenta uma crise de atratividade, com saída de profissionais devido à falta de investimentos e estrutura. Segundo ele, o fundo permitiria utilizar recursos oriundos do próprio crime para financiar ações das forças de segurança, sem gerar novos custos ao governo.

A mobilização ocorre em um momento considerado decisivo, já que há um prazo curto, influenciado pelo calendário eleitoral, para que o projeto seja encaminhado ao Congresso Nacional. Caso isso não ocorra, a categoria não descarta a adoção de medidas ainda mais rígidas.

Apesar da paralisação parcial, o delegado reforçou que o atendimento essencial segue sendo prestado à população na unidade da Polícia Federal, garantindo registro de ocorrências e ações em situações de urgência.

A mobilização segue por tempo indeterminado e deve continuar impactando alguns serviços enquanto não houver avanço na pauta.