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Geral

Passo Fundo reúne 6% dos imigrantes com carteira assinada do Rio Grande do Sul

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo
Imigrantes venezuelanos cruzam a fronteira com o Brasil.

Passo Fundo vem ganhando destaque no cenário estadual como um importante destino para trabalhadores estrangeiros. O município aparece entre os que mais concentram imigrantes com carteira assinada no Rio Grande do Sul. Esse crescimento está ligado, principalmente, à necessidade de mão de obra em setores produtivos, como a indústria, que enfrenta dificuldades para preencher vagas e encontra nos imigrantes uma alternativa para manter a atividade econômica aquecida. Somente o Sine de Passo Fundo recebe cerca de 30 a 40 imigrantes diariamente à procura de colocação no mercado de trabalho.

Em entrevista à Uirapuru, o coordenador do FGTAS/Sine de Passo Fundo, Cassiano Paim Bandeira, afirmou que a procura por emprego é constante e vem aumentando. Ele destaca que esses trabalhadores estão sendo absorvidos principalmente por setores como supermercados, frigoríficos, metalúrgicas e pela indústria em geral, que enfrentam falta de mão de obra. Segundo ele, as empresas têm aberto espaço e oferecido treinamento, priorizando a disposição para o trabalho. Outro ponto destacado é a força de vontade desses trabalhadores, que chegam à cidade com o objetivo de conseguir emprego e garantir sustento, muitas vezes para familiares que permanecem no país de origem.

Ele também reforça que Passo Fundo, por ser um polo regional com forte geração de empregos, acaba atraindo esse público. Atualmente, o município ocupa a quarta colocação no Estado, com cerca de 3.200 vínculos formais, o equivalente a aproximadamente 6% do total registrado no Rio Grande do Sul.

Nos últimos anos, Passo Fundo tem registrado um aumento no fluxo migratório. Os principais imigrantes na região são venezuelanos, cubanos, argentinos, haitianos e paraguaios, além de senegaleses e bengalis. É o que destaca a coordenadora do Balcão do Migrante da Universidade de Passo Fundo, professora Patrícia Noschang.

De acordo com ela, a inserção no mercado de trabalho ocorre de forma gradual, principalmente por conta da barreira do idioma. Nos primeiros empregos, os imigrantes atuam em funções que exigem pouca comunicação em português, como frigoríficos, centros de distribuição e áreas de produção. Com o tempo e o domínio da língua, passam a ocupar vagas com atendimento ao público, como no comércio e em farmácias.

Sobre a quantidade de imigrantes no município, a estimativa é de mais de 3 mil pessoas, embora não haja um número oficial, já que a migração é dinâmica. Muitos se deslocam conforme surgem novas oportunidades. O Balcão do Migrante atua principalmente na regularização documental desses trabalhadores, etapa fundamental para o acesso ao emprego e a direitos básicos como saúde, educação e assistência social. O serviço é gratuito e realizado por estudantes da universidade, sendo considerado a porta de entrada para a integração dos imigrantes na sociedade.