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Geral

Número de inadimplentes cresce 56% em uma década e preocupa em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

Um dado que aponta o crescimento da inadimplência em Passo Fundo vem preocupando autoridades locais.  Atualmente, cerca de 40% dos CPFs estão negativados na cidade.  Esse é índice é maior que as médias estaduais e nacionais.  O dado reflete a dificuldade de pagamento e a queda no poder de consumo na região.  É o que destaca o diretor do SCPC de Passo Fundo, Valter Ceolin, em entrevista à Uirapuru.

De acordo com ele, atualmente quase 40% da população passo-fundense é considerada inadimplente, um índice cerca de 6 pontos percentuais acima da média nacional, que gira em torno de 34%, enquanto no Rio Grande do Sul fica próximo de 36%.  Em aproximadamente 10 anos, esse número cresceu de 25% para 39,5%, um aumento de cerca de 56%, mostrando uma evolução preocupante ao longo do tempo.  Segundo Ceolin, esse avanço se explica pelo fato de Passo Fundo ser um polo regional, que concentra consumidores de outras cidades, e também pela forte dependência do agronegócio.  Safras frustradas nos últimos anos, aliadas a fatores climáticos, queda nos preços das commodities, redução das exportações e alto custo de produção, diminuíram a entrada de recursos na economia e impactaram diretamente o comércio.

Ceolin reforça ainda a diferença entre endividamento e inadimplência. O consumidor endividado pode manter as contas em dia, mesmo com orçamento apertado, mas o inadimplente é aquele que não consegue mais pagar suas dívidas e acaba registrado em bancos de dados como o SCPC.  Esse cenário preocupa porque, ao ficar inadimplente, o consumidor perde o poder de compra e deixa de movimentar a economia local.  Sobre o perfil, ele aponta que a maioria dos inadimplentes são mulheres, principalmente entre 25 e 40 anos, em início de vida financeira.  Esse público costuma enfrentar custos elevados com moradia, financiamento de imóveis, despesas com filhos e educação, o que contribui para o desequilíbrio financeiro.

Além disso, a alta nos preços, especialmente dos alimentos, faz com que o consumidor priorize gastos essenciais, como água, luz e alimentação, deixando outras contas em atraso.  Ceolin também alerta para a falta de planejamento financeiro como um dos principais problemas.  A orientação é evitar novas compras, priorizar contas com juros menores e buscar renegociação diretamente com os credores ao primeiro sinal de dificuldade.