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Geral

Falta de diesel já é registrada em Passo Fundo e preocupa transportadores e produtores rurais

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo
diesel
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A escalada do conflito no Oriente Médio volta a gerar preocupação no mercado internacional de energia e já começa a refletir no abastecimento de combustíveis em diversos países. No Brasil, distribuidoras e setores ligados ao transporte alertam para dificuldades no fornecimento de diesel, combustível essencial para o escoamento da produção agrícola e para o transporte de mercadorias. Em Passo Fundo, os reflexos dessa situação já começam a ser percebidos.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, o supervisor da Rede Buffon, Denilson Kielick, confirmou que há defasagem no fornecimento de óleo diesel pelas distribuidoras, o que tem provocado dificuldades para abastecer os postos. Segundo ele, muitas unidades chegaram a enfrentar falta do produto durante o fim de semana, tanto do diesel comum (S500) quanto do diesel S10, mais utilizado por veículos e frotas mais novas. Denilson explicou que as distribuidoras estão trabalhando com um sistema de cotas para repassar o combustível aos revendedores, o que reduz o volume disponível e dificulta a logística de abastecimento. Ele também destacou que o problema é agravado pela dependência do Brasil de diesel importado e pela alta no preço do barril de petróleo no mercado internacional.

Outro fator que amplia o impacto na região é a logística de transporte. Com a malha ferroviária ainda afetada no Rio Grande do Sul após as enchentes, grande parte do combustível chega apenas por via rodoviária. Como Passo Fundo funciona como polo de distribuição para diversos municípios do norte do estado, a dificuldade no abastecimento local acaba refletindo também em cidades vizinhas. Além da escassez do produto, o cenário já provoca aumento no preço. Atualmente, o diesel vendido nos postos ultrapassa os sete reais por litro, enquanto para o setor agrícola o valor pode chegar a mais de oito reais. A situação preocupa principalmente transportadores e produtores rurais, que dependem diretamente do combustível para manter suas atividades.

De acordo com Denilson, a expectativa do setor é de que o problema possa continuar nas próximas semanas, já que há previsão de redução nas cotas de diesel liberadas para o mercado nos próximos meses. Enquanto isso, postos e distribuidoras buscam alternativas para manter o abastecimento e minimizar os impactos ao consumidor.

Diante desse cenário, representantes do setor também apontam alternativas para reduzir a dependência do diesel importado. O CEO da Be8, Erasmo Battistella, defendeu o aumento da mistura de biodiesel no diesel. Segundo ele, a elevação de até 2% na mistura, passando para o chamado B17, seria possível, já que o país possui indústria e matéria-prima suficientes para ampliar a produção sem impacto no preço final.

Battistella também afirmou que é necessário que o governo federal revise a medida provisória sobre a tributação dos combustíveis, incluindo isenção de impostos para o biodiesel, da mesma forma que foi feito para o diesel importado. Para ele, além de ser um combustível renovável e menos poluente, o biodiesel pode ajudar a reduzir a dependência externa e trazer mais segurança ao abastecimento no país.