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Expodireto

Especialista destaca na Expodireto Cotrijal o papel das plantas forrageiras na rotação de culturas

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

As práticas de manejo do solo ganharam destaque na programação da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, onde especialistas e empresas apresentam tecnologias voltadas à sustentabilidade da produção agrícola. Entre os temas debatidos está o uso de sementes forrageiras como estratégia para melhorar a qualidade do solo e fortalecer o sistema de plantio direto, técnica amplamente utilizada no Rio Grande do Sul.

Durante entrevista à Rádio Uirapuru, no estande da Embrapa, o representante da Sulpasto, Jacques Milisch, explicou que a entidade reúne cerca de 20 produtores de sementes forrageiras dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Segundo ele, o trabalho consiste na multiplicação e distribuição de sementes de plantas utilizadas principalmente na cobertura do solo. Essas espécies formam palhada e contribuem para a manutenção do sistema de plantio direto, especialmente em regiões agrícolas como o Planalto Médio, onde está Passo Fundo.

De acordo com Milisch, as plantas forrageiras têm papel importante na proteção do solo. Além de formar cobertura vegetal que ajuda a reduzir a erosão, elas possuem sistema radicular profundo e intenso, capaz de melhorar a estrutura do solo e favorecer sua biologia. O resultado aparece nas culturas plantadas posteriormente no verão, como soja, milho e feijão, que passam a aproveitar melhor a umidade e os nutrientes presentes na área.

Entre as principais espécies multiplicadas pela Sulpasto, estão aveia preta, azevém, ervilhaca, diferentes tipos de trevos, além do milheto e do capim sudão. Essas plantas são desenvolvidas em programas de pesquisa da Embrapa e, posteriormente, têm suas sementes produzidas e repassadas aos agricultores por meio da associação.

Outro ponto destacado pelo representante foi a importância da rotação de culturas. Conforme explicou, a prática consiste em alternar diferentes lavouras ao longo dos anos, evitando problemas fitossanitários e melhorando a fertilidade do solo. Nesse processo, as plantas forrageiras cumprem função estratégica ao produzir palhada e preparar a área para o cultivo seguinte.

Milisch também apontou que o agricultor gaúcho enfrenta dois desafios climáticos recorrentes: a falta de chuva no verão e o excesso de precipitação no inverno. Segundo ele, o uso de plantas de cobertura ajuda a reduzir os impactos dessas variações, pois melhora a infiltração da água, aumenta a matéria orgânica e contribui para maior resistência das lavouras em períodos de estiagem.