Combustível verde: Carinata vira nova aposta e pode produzir combustível de aviação
O mundo observa com atenção a uma das maiores crises de combustíveis da história recente. A guerra no Irã tornou a passagem dos navios que levam combustível restrita, impactando o mercado global. O Brasil já tem oferta reduzida de diesel e, neste cenário, o combustível verde ganha destaque. Uma novidade chama a atenção de todos na Expodireto Cotrijal. A planta Carinata, uma parente da Canola e que produz um óleo capaz de ser utilizado na fabricação de biocombustível, inclusive na aviação. Este foi o tema de uma entrevista especial realizada pela Uirapuru no evento.
Alexandre Doneda, gerente de produção vegetal da Cotrijal, que explicou o potencial da nova cultura para os produtores. Segundo ele, a carinata é muito semelhante à canola, planta que já é cultivada há vários anos no Rio Grande do Sul e que os agricultores da região conhecem bem. No entanto, o principal diferencial está no destino da produção.
Ele destaca que o grão da carinata é voltado principalmente para a produção de biocombustível. De acordo com o gerente, o grão passa por um processo industrial para a extração de óleo vegetal que pode ser transformado em combustível sustentável para aviação, conhecido como SAF.
Doneda explica que este tipo de combustível vem ganhando importância no mundo devido às metas de redução de emissão de gases de efeito estufa. Segundo ele, a cultura também pode se tornar uma alternativa importante de renda para o produtor gaúcho. Doneda afirma que o crescimento da demanda por biocombustíveis tende a ampliar as oportunidades de mercado, especialmente para culturas de inverno.
Ele destaca que ainda é difícil dimensionar exatamente o tamanho desse mercado no futuro, mas ressalta que a demanda global por combustíveis mais limpos é cada vez maior. Nesse cenário, o cultivo da carinata pode representar uma nova oportunidade para ampliar a produção agrícola no período de inverno e gerar mais renda nas propriedades. Doneda também explicou que, inicialmente, grande parte da produção deverá ser destinada ao mercado externo.
A expectativa é que o grão seja exportado principalmente para a Europa, onde já existe uma forte demanda por combustíveis sustentáveis. No futuro, no entanto, a tendência é que a cadeia produtiva também se desenvolva no Brasil. Segundo ele, com o crescimento da demanda por biocombustíveis, é possível que indústrias locais passem a adaptar suas estruturas para processar a carinata e produzir o combustível no próprio país, tudo com raiz no Rio Grande do Sul.