Farmácia clínica em oncologia requer envolvimento e conhecimento profissional
O cuidado com o paciente oncológico envolve um olhar para várias dimensões. Cada profissional da área de saúde deve enxergar a pessoa acometida com câncer de forma integral. E a sincronia estabelecida entre os especialistas será importante para o êxito do tratamento.
Diante deste panorama, o Serviço de Farmácia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo realizou neste semestre a palestra Farmácia Clínica em Oncologia, ministrada pelo farmacêutico Mario Jorge Sobreira da Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia, coordenador de Ensino em Farmácia Hospitalar Oncológica do Instituto Nacional de Câncer (INCA), chefe da Divisão de Ensino e coordenador da Comissão de Residência Multiprofissional do INCA.
O paciente oncológico, independente da modalidade, irá necessitar de medicamentos, que muitas vezes provocam reações relacionadas ao tratamento. Nesse sentido, Silva destaca que a contribuição do farmacêutico é diminuir as reações, tentando verificar quais são os componentes que estão promovendo aquele efeito no paciente, buscando mecanismos junto aos demais membros da equipe multiprofissional, para poder evitar que esses eventos permaneçam.
“Isso irá ajudar o paciente na questão da adesão à terapia, que é decisiva para que ele tenha sucesso em seu tratamento. Hoje, diversos trabalhos apontam que o farmacêutico contribui para isso, minimizando sintomas e melhorando a qualidade vida dos pacientes”.
A interação próxima do farmacêutico com o paciente que trata câncer é importante para os bons resultados da terapêutica. Para tanto, o palestrante afirma que existe uma corresponsabilidade que se cria com o paciente em relação aquele tratamento em si, trazendo-o para seu compromisso próprio. Silva salienta que se não houver essa adesão do paciente de fato, o farmacêutico e todos profissionais envolvidos terão um insucesso, por isso a importância de todos estarem fazendo seu papel, para motivar o paciente a seguir firme seu tratamento.
Na visão do palestrante, o farmacêutico é um importante gestor do caso junto à equipe, pois consegue fazer a conexão entre diferentes especialistas, médicos e outros profissionais. Especialmente, nos casos mais complexos, que trazem dificuldade de adesão ao tratamento, a atuação do farmacêutico será fundamental entre os membros da equipe.
Importância da especialização do farmacêutico
A área da Farmácia Clínica desenvolve significativa quantidade de novos medicamentos para o tratamento do câncer que vem sendo investigado e incorporado às práticas, sem muitas vezes, o conhecimento de seus efeitos. Nesse aspecto, Silva considera que também é desconhecido o possível risco de interação com outros produtos. “Por isso, o farmacêutico contribui nesse monitoramento do paciente, verificando se essas novas tecnologias estão prejudicando de alguma forma”.
Para tanto, a especialização na área é fundamental. Conforme Silva, de 25% a 30% dos medicamentos novos que estão no mercado referem-se ao tratamento oncológico, então isso de alguma maneira exige do profissional uma dedicação para conhecer essas drogas. Além disso, o farmacêutico evidencia que o profissional deve conhecer a própria doença, porque o câncer não é uma única doença. “Cada paciente é diferente, embora tenha o mesmo tipo de tumor. Os pacientes também se diferenciam entre si, o que se torna necessário conhecê-lo, saber sobre o tumor, o tratamento, identificando outros tratamentos em que o paciente está submetido ou tenha que se submeter. Conhecer tudo isso se faz necessário”, reforça Silva.