Ponto e Contraponto: O feminicídio é a face mais cruel da sociedade
Enquanto muitos ainda insistem em tratar o Dia da Mulher como uma data comercial para flores e bombons, os números escancaram a verdade: para 1.568 mulheres, 2025 foi o ano em que a violência de gênero as exterminou. O crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior não é uma estatística fria; é o retrato de um país que falha sistematicamente em proteger suas cidadãs. O fato de o Rio Grande do Sul liderar o número de feminicídios na Região Sul, com 444 vidas ceifadas em quatro anos, não é uma “mancha no mapa”, mas sim a evidência de que a discriminação contra a mulher não conhece fronteiras regionais — ela está arraigada na cultura, na impunidade e na lógica de posse que ainda trata corpos femininos como territórios a serem dominados. Não há o que comemorar quando a casa, que deveria ser um refúgio, se transforma no principal palco de execuções.
Indiferença social
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública não são uma fatalidade, são uma escolha política e social. Enquanto a sociedade se cala diante do machismo cotidiano — nas piadas no ambiente de trabalho, no controle dos corpos e na deslegitimação da luta feminista —, o Estado responde com políticas públicas insuficientes e um Judiciário que, muitas vezes, relativiza a violência.
Indignação
Os índices de 1,4 feminicídio por 100 mil mulheres no RS e no PR escancaram a falência de um sistema que ainda trata o feminicídio como “crime de paixão” e não como o que ele é: um crime de ódio motivado pela discriminação de gênero. Refletir no 8 de março exige mais do que postagens em redes sociais; exige que nos indignemos com a naturalização da violência e que pressionemos por políticas de prevenção, punição exemplar e, acima de tudo, por uma transformação cultural que desmonte a mentalidade de que a mulher é propriedade de alguém.
Tabuleiro
O tabuleiro eleitoral movimenta suas peças com mais velocidade do que antes. A campanha, embora não oficializada pela legislação, já está nas ruas e nas redes. Nesta semana, o Progressistas praticamente confirmou que a candidata a vice na chapa de Luciano Zucco (PL) será mesmo a deputada estadual Silvana Covatti. O capital eleitoral de mais de 87 mil votos obtidos em 2022 será do irmão, Sandro Franciscato, mais conhecido por Sandro do Covatti. Assessor da família Covatti por décadas, Sandro sairá indicado pelo PP de Passo Fundo, já que mantém residência fixa por aqui.
De volta
Na movimentação das peças, outra informação confirmada nesta semana foi o anúncio do presidente nacional do PSB, João Campos, de que Beto Albuquerque assume o comando do partido no Rio Grande do Sul. A primeira ação será anunciar que o PSB não está mais no governo de Eduardo Leite. Na sequência, começa a preparar as listas de candidatos a deputado estadual e federal. Os socialistas estarão na aliança com o PT, que ainda se anima com a possibilidade de contar também com o PDT.
Voto a voto
A briga entre os candidatos a deputado estadual indicados por Passo Fundo será mais acirrada do que em 2022. Não pelo número de pretendentes, mas pelo peso da representatividade e potencial de cada um. Disputarão voto a voto: Márcio Patussi (PL), Mateus Wesp (PSD), Gio Krug (PSD), Regina dos Santos (PDT), Eva Valéria (PT), Marina Bernardes (PT), Sandro Franciscato (PP) e João Pedro Nunes (MDB). Sem contar nos candidatos de cidades próximas, como Iura Kurtz (MDB), de Marau; Gilmar Sossella (PDT), de Tapejara; e Paparico Bach (PL), de Erechim.
Vitória?
A CPI dos Pedágios comemorou como vitória a suspensão do edital do Bloco 2 de concessão de rodovias das regiões Norte e Vale do Taquari pelo governador Eduardo Leite. E com razão, no sentido de que, até então, o governo vinha afirmando que não mudaria o cronograma, mas acabou aceitando a maior parte das recomendações do TCE e reduzindo a tarifa em um centavo. Neste caso, a pressão política valeu mais.