Quase metade dos adultos de Passo Fundo convive com algum grau de obesidade, aponta pesquisa
A obesidade avança no Brasil e acende um alerta também em nível local. Dados do Vigitel, levantamento anual do Ministério da Saúde, mostram que a prevalência da obesidade no país cresceu 118% entre 2006 e 2024, atingindo 25,7% da população adulta, o equivalente a um em cada quatro brasileiros. Em Passo Fundo, o índice total chega a 43,1%.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, a médica nutróloga Débora Boscatto, que atua no Hospital de Clínicas de Passo Fundo, afirmou que o cenário é preocupante, especialmente porque, além da obesidade, há um contingente expressivo de pessoas com sobrepeso. Segundo ela, isso significa que mais da metade da população adulta está com peso acima do considerado saudável.
De acordo com os dados locais, a obesidade grau 1 atinge 25,01% da população, a grau 2 representa 11,25% e a grau 3 soma 6,84%. A médica explicou que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, associada a fatores genéticos, sedentarismo e piora da qualidade alimentar, com maior consumo de produtos industrializados e ultraprocessados. Ela destacou que a condição aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e também de alguns tipos de câncer.
Débora Boschato relatou que, durante os dez anos em que coordenou o Ambulatório de Qualidade de Vida na rede pública, observou crescimento constante da fila de pacientes aguardando cirurgia bariátrica. Conforme explicou, embora existam atualmente medicamentos eficazes para o tratamento, nenhum deles é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde, o que limita o acesso. Os custos mensais podem variar de cerca de R$ 100 a até mais de R$ 1.500, dependendo do tipo de medicação.
A médica ressaltou que a obesidade não é um evento pontual, mas uma condição que tende a se intensificar com o envelhecimento quando não tratada. Com o passar dos anos, a redução da massa muscular diminui o gasto energético diário, o que facilita o ganho de peso. Além disso, doenças associadas, como resistência à insulina, podem surgir e agravar o quadro metabólico.
Outro ponto destacado é que, quanto mais avançado o grau de obesidade, maior a complexidade do tratamento e maiores os riscos de complicações, como doenças cardiovasculares, diabetes e outras comorbidades. Por isso, a tendência observada nas estatísticas é de crescimento contínuo dos casos, especialmente se não houver mudanças estruturais em hábitos de vida e acesso ampliado a tratamento.
A médica reforçou que a intervenção precoce é fundamental para interromper esse ciclo. Identificar o sobrepeso e a obesidade nos estágios iniciais permite maior chance de estabilização e redução de riscos futuros, evitando que os índices avancem para números ainda mais elevados nos próximos anos.
Como orientação, Débora reforçou a importância de alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico. Ela salientou que o tratamento é multidisciplinar e pode envolver médico, nutricionista, educador físico e, em alguns casos, psicólogo ou psiquiatra.