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Você já foi atrás de uma ‘cobra’ tentando entender o motivo?

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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A reação mais lógica seria tentar tirar o veneno, cuidar do machucado, buscar ajuda. Mas, em vez disso, muita gente faz o oposto: corre atrás da cobra. Quer entender o motivo. Quer ouvir uma explicação. Quer convencer a cobra de que não merecia aquilo. E, enquanto faz isso, o veneno continua se espalhando. É mais ou menos assim que a gente age quando alguém nos fere. Em vez de olhar pra dor e cuidar dela, ficamos presos tentando entender o outro. “Por que ele fez isso?”, “como ela pôde?”, “o que eu fiz de errado?”. E, nesse esforço de entender o que não faz sentido, o que acaba doendo ainda mais é o tempo que a gente perde tentando justificar o injustificável. Cuidar da picada é o mesmo que cuidar de si.

É aceitar que doeu, que algo terminou, que talvez não haja explicação que traga paz. Só que isso exige maturidade emocional, e maturidade dói, porque obriga a gente a parar de buscar consolo no lugar onde a ferida começou. Enquanto você tenta entender a cobra, o veneno segue agindo: te deixa mais cansada(o) mais desconfiada(o), mais distante de si mesma(o). Até que um dia, você percebe que o problema nunca foi o que fizeram com você, mas o quanto demorou pra começar a se cuidar.

O que cura não é a resposta do outro, é o gesto de voltar pra dentro. É o momento em que você decide parar de procurar sentido em quem só te trouxe confusão. É escolher cuidar da ferida, em vez de cobrar arrependimento. Portanto, esse post não é sobre cobras. É sobre entender que curar é um ato de responsabilidade. Que correr atrás de quem te feriu só prolonga a dor. E que, às vezes, o maior gesto de amor próprio é se afastar, e cuidar do veneno antes que ele te consuma.

 

por@psicologobrunoberaldo

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