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Geral

Custo de vida consome mais da metade da renda no RS e pressiona cidades-polo como Passo Fundo.

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

O Rio Grande do Sul ocupa a 10ª posição no ranking nacional de custo de vida, segundo pesquisa feita pelo Serasa e divulgada no início de 2026. O levantamento aponta uma despesa média mensal de R$ 3.360, valor abaixo da média da Região Sul, mas ainda significativo diante do peso das despesas essenciais no orçamento das famílias. Para a economista e doutora em Economia Cleide Moreto, professora da Universidade de Passo Fundo (UPF), o dado reflete a dinâmica produtiva e de renda do Estado.

De acordo com a professora, a colocação do Rio Grande do Sul chama atenção por não figurar entre os estados com custo mais elevado, considerando a tradição histórica de concentração de produção e renda no Sul e Sudeste. Ela explica que regiões com maior atividade econômica tendem a apresentar custo de vida mais alto, já que a maior oferta de empregos, negócios e circulação de renda eleva também os gastos necessários para a manutenção das famílias. Estados como São Paulo, Paraná e Santa Catarina seguem liderando o ranking, enquanto o território gaúcho aparece logo atrás, acompanhando mudanças recentes na distribuição da atividade econômica no país.

Cleide Moreto destaca que a pesquisa feita pelo Serasa trabalha com valores médios, a partir de mais de 6 mil entrevistados em todo o Brasil, o que exige cautela na interpretação. Ela lembra que a maioria dos brasileiros possui rendimentos baixos, o que torna expressivo o impacto de um custo mensal acima de R$ 3 mil. A economista compara os dados ao cálculo do Dieese, que estima que uma família de quatro pessoas precisaria receber mais de R$ 6.600 por mês para suprir as necessidades básicas previstas no salário mínimo constitucional.

Segundo a análise, cerca de 57% do orçamento das famílias brasileiras é comprometido com despesas essenciais, como supermercado, moradia e contas recorrentes, incluindo água, luz e internet. No Rio Grande do Sul, a moradia aparece entre os itens com maior peso, afetando principalmente trabalhadores de baixa renda. Nesse cenário, gastos com lazer, educação, alimentação fora de casa e cuidados pessoais acabam sendo adiados, enquanto cresce o parcelamento até mesmo de compras básicas, o que indica dificuldade de controle financeiro no curto prazo.

Ao relacionar os dados à realidade local, a economista aponta que Passo Fundo se consolidou como polo regional de comércio, serviços e atividades industriais, atendendo mais de 100 municípios do entorno. Esse movimento impulsiona a arrecadação e o desenvolvimento econômico, mas também eleva o custo de vida no município, reforçando a necessidade de planejamento e educação financeira em cidades que concentram serviços e atraem consumo regional.