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Geral

Fim da baliza: redução de exigências no exame da CNH levanta alerta sobre preparo dos motoristas

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A possível extinção do teste da baliza no exame prático da Carteira Nacional de Habilitação no Rio Grande do Sul tem gerado debate entre profissionais do setor e candidatos à CNH. A mudança, já adotada em outros estados, também envolve a redução da carga mínima de aulas práticas e a flexibilização de etapas do processo de habilitação. O tema foi discutido na programação da Rádio Uirapuru com representantes do CFC Janaína, de Passo Fundo.

O empresário Enio Oliveira, do CFC Janaína, avaliou que a retirada da baliza e de outras exigências compromete a formação dos motoristas. Segundo ele, o processo de habilitação tem como objetivo educar para o trânsito e preservar vidas, o que exige aprendizado gradual e prática suficiente. Enio afirmou que a redução drástica de aulas não garante que o candidato desenvolva habilidades básicas, como estacionamento e controle do veículo em diferentes situações, e alertou que a facilidade inicial pode resultar em mais riscos no trânsito.

Ainda conforme Enio Oliveira, as alterações foram feitas sem amplo debate técnico e tendem a atender a um contexto político, enquanto os efeitos recaem sobre toda a sociedade. Ele destacou que os CFCs cumprem as normas definidas pelos órgãos de trânsito e não interferem nos critérios de avaliação dos examinadores. Também ressaltou que, apesar das críticas ao custo da CNH, o valor envolve exames, avaliações e carga horária prevista em lei, defendendo que a responsabilidade na formação deve prevalecer sobre a busca por economia imediata.

O diretor do CFC Janaína, Edson Rodrigues, explicou que, na prática, ainda não há definição oficial do Detran-RS sobre a implementação das novas regras. Com base em experiências de outros estados, ele relatou que a baliza e a arrancada em aclive tendem a ser substituídas por um percurso maior de direção, com avaliação contínua do candidato. No entanto, Edson ponderou que esse modelo pode tornar a reprovação mais subjetiva, já que parte da decisão passa a depender da interpretação do examinador.

Edson Rodrigues também chamou atenção para a diferença entre o que é anunciado e o que ocorre na prática. Segundo ele, há expectativa de facilitação do processo, mas o novo formato pode gerar insegurança e frustração entre os candidatos. O diretor acrescentou que os CFCs têm interesse na aprovação dos alunos e esclareceu que o curso teórico oferecido por aplicativo federal não é de responsabilidade das autoescolas, o que tem causado dificuldades para alguns candidatos avançarem às aulas práticas.