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Saúde

Cuidados Paliativos são tema de Mesa Redonda

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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O Grupo Consultor de Cuidados Paliativos (GCCP) do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo em parceria com o Projeto de Extensão ComSaúde da Universidade de Passo Fundo, promoveu no dia 18 de outubro, uma mesa redonda sobre Cuidados Paliativos: Desmistificando conceitos. Acadêmicos e profissionais de diversas áreas lotaram o auditório biomédico, do Campus II da UPF, para conhecer mais sobre o assunto e sanar dúvidas.

 

Na ocasião a professora da UPF e coordenadora do projeto ComSaúde, Cristiane Barelli, falou sobre o cuidado integral do paciente e ressaltou importância de falar sobre Cuidados Paliativos. “Esse assunto deve ser abordado principalmente na academia, na formação dos profissionais da saúde, em que o paciente não se resume a uma doença a ser curada, mas um sujeito que precisa ser avaliado em todos os seus contextos”.

 

Na mesa, estiveram presentes para falar sobre o tema, a médica geriatra Luciana Fernandes Surian Stobbe, o médico oncologista Felipe Thomé dos Santos e a psicóloga Débora Marchetti, todos integrantes do Grupo Consultor de Cuidados Paliativos.

 

No primeiro momento, Luciana abordou o conceito dos cuidados paliativos, esmiuçando a definição da Organização Mundial de Saúde de 2002, que se refere a “uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida. Para tanto, é necessário avaliar e controlar de forma impecável não somente a dor, mas, todos os sintomas de natureza física, social, emocional e espiritual.”

 

Ainda, a especialista salientou que os cuidados paliativos, apesar de estarem fortemente relacionados ao câncer, abrangem também outras doenças, como doenças degenerativas de natureza neurológica, reumalógica, renais crônicas, cardiopatas, pneumopatas e outras doenças crônicas.

 

Na sequência, Felipe explanou sobre “Aspectos bioéticos: desafios na implementação dos cuidados paliativos.” O oncologista pontuou que muitos profissionais confundem os cuidados paliativos com a eutanásia e a distanásia e é um dos motivos da dificuldade de implementar esse tipo de cuidado. “A eutanásia, que apesar de significar “boa morte”, consiste em abreviar a vida do paciente sendo considerado crime no Brasil.

 

Já a distanásia é prolongar a morte, mantendo dor e sofrimento, pois são realizados tratamentos considerados fúteis e inúteis sem benefícios para o paciente. O que os cuidados paliativos preconizam é a Ortotanásia, morrer naturalmente e de forma humana, sem diminuir ou prolongar a vida e o sofrimento, este termo está associado ao ato de morrer com dignidade”, diferenciou.

 

Concluindo as explicações Débora falou sobre Dor Total: integralidade do cuidado, destacando que que a dor é uma vivência única e individual, onde cada pessoa utiliza o termo de acordo com suas experiências anteriores. “A dor é um sintoma presente na maioria das doenças, seja como manifestação direta ou como parte do processo diagnóstico e terapêutico. Por se apresentar como uma resposta individual, a dor expressa pelo paciente é aquela que ele sente e por isso é fundamental acreditar no paciente”, explicou, salientando que compete ao profissional se questionar qual dor o paciente está sentindo, pois esta se intensifica diante de uma doença que ameaça a vida, em que o paciente toma consciência da finitude e da fragilidade humana.

 

“Pela experiência dolorosa ser regulada por uma série de fatores biológicos, emocionais, sociais, espirituais a médica inglesa Cicely Saunders, em 1960, acrescentou ao conhecimento da dor o conceito de dor total. A profissional ressaltou que para avaliar a dor em todas essas esferas é preciso o trabalho conjunto da equipe multiprofissional, tendo como pilar principal a comunicação entre paciente, família e profissionais da saúde”, citou Débora, completando que o maior desafio é encontrar o sentido da vida diante da morte, onde todos os envolvidos no cuidado do paciente e sua família são responsáveis, a fim de proporcionar uma morte digna e pacífica que conforte os familiares que ficam.