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Golpes

Especialistas alertam para aumento de golpes digitais em Passo Fundo e dão dicas de prevenção

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

Um aumento de 15% nos casos de estelionato em 2025 na região de Passo Fundo acendeu o alerta de especialistas em segurança e direito digital. Em participação no programa Sem Segredo, o delegado regional Adroaldo Schenkel, a advogada Maira Tonial e o especialista Gabriel Tochetto discutiram a tendência crescente dos crimes virtuais e apontaram os golpes mais comuns e como se proteger.

Aumento pós-pandemia e facilidade para o crime
Segundo o delegado Schenkel, o salto nos estelionatos foi impulsionado pela pandemia e pelo aumento do uso de plataformas digitais. “Hoje a gente tem praticamente toda a nossa vida na palma da mão”, afirmou, destacando que a migração de atividades bancárias e comerciais para o virtual também atraiu os criminosos. Entre as preocupações policiais estão a facilidade de abertura de contas em bancos digitais, a propagação paga de links falsos e o que ele classifica como uma “frouxidão legal” em torno do crime de estelionato.

Schenkel destacou que, apesar de os meios digitais deixarem rastros, os criminosos frequentemente usam plataformas fora do Brasil, dificultando a investigação. “O problema é que nesse tempo, até a chegada, muitas vezes o prejuízo é irreversível. Então, se tem que trabalhar muito hoje é na prevenção”, alertou.

Golpe do falso advogado: o mais recente
Um dos golpes em alta no início do ano, conforme o delegado, é o “golpe do escritório de advocacia”. A advogada Maira Tonial explicou como funciona: criminosos usam fotos públicas de advogados (como as do cadastro da OAB) para criar perfis falsos no WhatsApp. Com acesso a processos públicos, eles entram em contato com clientes reais, dão falsas notícias de ganho de causa e pedem adiantamento de custas ou impostos para liberar o suposto dinheiro.

“A pessoa na boa fé… faz o depósito, e depois não existe mais aquele WhatsApp”, disse Maira, ressaltando que a OAB tem registrado um grande número de vítimas. A orientação é clara: ao receber uma ligação suspeita, nunca faça pagamentos por impulso. Confirme diretamente com o advogado por um telefone já conhecido ou vá pessoalmente ao escritório.

Outros golpes em alta e como funcionam
Golpe do filho/familiar: Criminosos usam inteligência artificial para clonar vozes ou fazem ligações urgentes, se passando por parentes em supostos acidentes ou problemas, pedindo PIX imediato. A dica é criar um “código familiar” para situações de emergência e sempre checar por outro meio de contato.

Golpe da “novinha” ou dos nudes: Perfis falsos atraem vítimas (geralmente homens mais velhos) e, após troca de mensagens íntimas, passam a chantagear com falsas acusações de envolvimento com menor de idade. “São depósitos altos… a pessoa fica receosa de realizar a denúncia”, alertou Maira Tonial.

Links maliciosos: Gabriel Tochetto explicou que mensagens com links suspeitos (sobre supostas dívidas, promoções ou benefícios) são a “porta de entrada”. Podem instalar malwares no celular ou roubar credenciais para golpes futuros. “Não acesse links que você não conhece”, foi a recomendação unânime.

Golpes por inteligência artificial: Tochetto citou casos de “web namoradas(os)” criadas com IA, que estabelecem relacionamentos longos para depois aplicar golpes financeiros grandes. “A gente vai ter pessoas que não têm conhecimento de como isso pode ser real ou parecer real”, disse.

Prevenção é a chave: as principais dicas dos especialistas

  • Todos foram enfáticos: a chance de recuperar o dinheiro após o golpe é mínima, pois os valores são rapidamente pulverizados. Portanto, a defesa deve ser proativa:
  • Ative a autenticação de dois fatores em todas as contas importantes (Instagram, e-mail, bancos). Prefira aplicativos autenticadores (como Google Authenticator) ao invés de SMS.
  • Consulte o Registrato do Banco Central (registrato.bcb.gov.br) para verificar todas as contas e chaves PIX abertas em seu CPF e bloquear a abertura de novas contas sem sua autorização.
  • Cadastre-se no “Não Me Perturbe” (naomeperturbe.com.br) para reduzir ligações indesejadas de telemarketing, muitas vezes usadas como isca.
  • Desconfie sempre: de ligações urgentes, pedidos de códigos, autenticações faciais por motoboys ou mensagens “boas demais para ser verdade”. Nunca forneça dados ou faça pagamentos sob pressão.
  • Verifique sempre o remetente em e-mails e mensagens. Criminosos usam caracteres parecidos (como “I” no lugar de “l”) para enganar.
  • Não tenha vergonha de desconfiar ou de pedir ajuda. “Não tenha vergonha de dizer… ‘vou até o senhor’”, reforçou Maira. Se for vítima, registre um boletim de ocorrência imediatamente.