Do Hemisfério Norte para o Brasil: Infectologista explica riscos e sintomas da nova variante da gripe
Surtos de gripe em curso nos Estados Unidos costumam anteceder a circulação do vírus no Brasil, especialmente nos períodos de outono e inverno. Esse padrão voltou a se repetir com o aumento de casos registrado atualmente no território norte-americano e com a confirmação, pelo Ministério da Saúde, no final de 2025, da presença do subclado K do vírus influenza A (H3N2) no país, popularmente chamado de Supergripe. As primeiras amostras brasileiras foram identificadas em Belém, no Pará, após o vírus já ter sido detectado em todos os continentes e ter circulação registrada na América Latina, com os primeiros casos no México.
A situação foi analisada em entrevista à Rádio Uirapuru pelo médico infectologista Dr. Hugo Noal, do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, que explicou que o surto observado nos Estados Unidos está relacionado a uma mutação natural do vírus influenza H3N2, classificada como subtipo K. Segundo ele, trata-se de uma alteração genética que mantém características semelhantes às da gripe comum, como febre, dor no corpo, dor de cabeça, tosse, coriza e dor de garganta.
Conforme Dr. Hugo Noal, a transmissão é favorecida pelo inverno rigoroso no hemisfério norte, período em que há maior permanência de pessoas em ambientes fechados e aglomerações. Ele destacou que, no Brasil, o Ministério da Saúde realiza campanhas anuais de vacinação contra a gripe, com atualização das cepas incluídas na vacina, em razão da capacidade de mutação do vírus, embora a adesão da população à vacinação tenha diminuído nos últimos anos.
O infectologista ressaltou que a maioria dos casos pode ser acompanhada em casa, com repouso e hidratação, desde que não haja sinais de agravamento. A principal indicação para busca imediata de atendimento médico é a presença de falta de ar. Ele também reforçou a importância de evitar contato com pessoas vulneráveis, como crianças pequenas, idosos, gestantes e imunodeprimidos, além de manter cuidados básicos de prevenção.
O médico alertou para os riscos da automedicação, principalmente o uso de antibióticos, que não têm indicação em infecções virais. Também orientou cautela no uso de anti-inflamatórios, priorizando analgésicos simples. Persistência de febre, dor de cabeça intensa, vômitos, diarreia ou alterações neurológicas podem indicar complicações, como pneumonia bacteriana secundária ou envolvimento do sistema nervoso central, exigindo avaliação médica.
Sobre a capacidade de internações no Hospital de Clinicas, Dr. Hugo Noal afirmou que não há, neste momento, alerta epidemiológico para o Brasil. Ele explicou que o sistema de saúde atua de forma integrada, envolvendo unidades básicas, UPAs e hospitais. No Hospital de Clínicas de Passo Fundo, destacou que a estrutura permite ampliação de leitos, inclusive de UTI, se necessário, como já ocorreu durante a pandemia.
O infectologista observou ainda que os Estados Unidos possuem um sistema de saúde diferente do brasileiro e menor cobertura vacinal em parte da população. Embora a vacina contra a gripe ainda não contemple o subclado K do H3N2, ele reforçou que a imunização segue sendo fundamental para reduzir casos graves, especialmente entre os grupos de risco, que incluem crianças menores de 2 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e imunodeprimidos.