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Geral

Presença de enxames de abelhas cresce no verão e moradores relatam entraves para remoção

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Nas últimas semanas, a Rádio Uirapuru tem recebido diversos relatos de ouvintes sobre o aumento da presença de abelhas em residências e áreas urbanas da cidade. Além da preocupação com os riscos, moradores também relatam dificuldade para obter atendimento do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos públicos para o auxílio na retirada dos insetos, sob a alegação de que esse tipo de ocorrência não se enquadra nas atribuições desses serviços. O tema ganhou ainda mais atenção após a divulgação de um caso registrado no município vizinho de Gentil, onde um cavalo morreu em decorrência de um ataque de abelhas. Para entender por que esse fenômeno ocorre e como a população deve agir diante dessas situações, a Rádio Uirapuru conversou com o presidente do Encontro Abelheiro de Carazinho, César de Souza.

Segundo César de Souza, as altas temperaturas, o calor intenso e as chuvas que favorecem a floração de plantas, características típicas da primavera e do verão, contribuem para o aumento da presença de enxames de abelhas em áreas urbanas e residenciais. Ele explicou que esse período está diretamente ligado à reprodução natural das colônias e à busca por novos locais de nidificação, o que torna mais frequente o aparecimento desses insetos, especialmente nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

O presidente do Encontro Abelheiro destacou que a zona urbana se torna um ambiente atrativo por concentrar flores e locais adequados para abrigo, enquanto a zona rural, em muitos casos, apresenta o uso de defensivos agrícolas, o que acaba afastando os enxames. Conforme ele, esse deslocamento faz parte do ciclo natural das abelhas e ocorre de forma recorrente ao longo dos anos.

Ao orientar a população, César de Souza afirmou que, ao identificar um enxame em residências, árvores ou espaços públicos, a principal recomendação é manter a calma, afastar-se lentamente, sem correr ou fazer barulho, e retirar do local crianças, idosos e animais domésticos. Ele reforçou que não se deve utilizar veneno, pois a tentativa de eliminação pode provocar ataques, e orientou que o correto é acionar o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, ou a Defesa Civil, para que seja avaliada a forma mais segura de manejo ou remoção.

Durante a entrevista, César de Souza também ressaltou a importância das abelhas para o equilíbrio ambiental e para a produção de alimentos. De acordo com ele, esses insetos são responsáveis pela polinização de cerca de 70% das plantas que produzem aproximadamente 90% dos alimentos consumidos. No caso da abelha apis-mellifera africanizada, espécie com ferrão mais comum no Brasil, explicou que se trata de um cruzamento entre abelhas europeias e africanas, bem adaptada ao clima brasileiro e fundamental para a produção de mel e para a polinização das culturas agrícolas.

Ele citou estudos que indicam aumento de até 15% na produtividade da soja e de quase 30% na canola com a atuação das abelhas na polinização. Acrescentou ainda que a redução do uso de defensivos agrícolas e a adoção de insumos biológicos têm ampliado a circulação desses insetos, fazendo com que áreas urbanas passem a integrar rotas de voo e locais de descanso temporário dos enxames, que podem permanecer de dois a cinco dias em um mesmo ponto antes de seguir viagem.

Ao abordar as dificuldades enfrentadas por moradores para obter atendimento, César de Souza afirmou que a situação envolve limitações legais e a ausência de políticas públicas específicas. Ele defendeu maior diálogo entre poder público, bombeiros, defesa civil e apicultores, além da criação de ações preventivas, como a instalação de caixas-isca em pontos estratégicos das cidades, com o objetivo de reduzir o impacto do enxameamento no ambiente urbano e garantir mais segurança à comunidade.

Por fim, César de Souza reforçou que, diante da presença de enxames, a população deve evitar qualquer tipo de intervenção por conta própria e buscar sempre o apoio dos órgãos competentes. Ele destacou que a informação e a atuação integrada são fundamentais para proteger a comunidade e, ao mesmo tempo, preservar as abelhas, consideradas essenciais para o equilíbrio do ecossistema.