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Geral

Caminhoneiros veem risco de endividamento em nova linha de crédito do governo

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

O governo federal lançou, na última semana, o programa Move Brasil, uma nova linha de crédito voltada ao transporte rodoviário de cargas. A iniciativa prevê R$ 10 bilhões em financiamentos para a compra de caminhões, com juros mais baixos, destinados a empresas do setor, cooperativas e caminhoneiros autônomos. O objetivo do programa é renovar a frota circulante no país, com foco em veículos mais modernos e sustentáveis. Os recursos serão operados pelo BNDES, com parte do valor reservada exclusivamente para caminhoneiros autônomos e cooperados.

Apesar do anúncio feito pelo governo, a categoria dos caminhoneiros não avalia a iniciativa de forma positiva. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o representante dos caminhoneiros em Passo Fundo, Ângelo Alérico, avalia que, mesmo com a redução anunciada, os juros ainda são elevados e podem levar os profissionais ao endividamento.

Segundo ele, na prática, o financiamento se torna inviável para o caminhoneiro autônomo, já que o valor final do contrato pode dobrar ao longo do pagamento, comprometendo a renda do profissional e tornando as parcelas difíceis de serem quitadas. Para Alérico, o governo deveria adotar um modelo semelhante ao de anos anteriores, com a criação de um programa específico para caminhoneiros autônomos, oferecendo juros compatíveis com a realidade da categoria e permitindo melhores condições para a renovação da frota.

Outro ponto destacado pelo caminhoneiro, que acaba prejudicando os motoristas autônomos, é a tabela do frete, que estabelece valores mínimos a serem pagos pelo transporte, variando conforme a distância, o tipo de carga e o número de eixos do caminhão. De acordo com a categoria, essa diferença acaba favorecendo caminhões maiores, enquanto veículos de seis eixos enfrentam dificuldades para conseguir cargas, deixando muitos caminhoneiros parados e sem renda.