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Jornal TROCA-TROCA

Editorial Troca-Troca: Novo ano começa com instabilidade e ameaças

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Como já é tradição ao final de um ano, o mundo todo celebra a chegada do 1º de janeiro desejando e ansioso por muita saúde e paz principalmente. Pensávamos que sim, o novo ano que chegou traria novamente a paz mundial, pois nos últimos 4 anos nos deparamos com novos conflitos como a Guerra entre Rússia e Ucrânia, conflitos entre Israel e grupos terroristas, sem contar as inúmeras ameaças que lideranças mundiais vinham fazendo. Pois o desejo de todos nós, foi por água abaixo já no terceiro dia do novo ano. As ameaças que vinham sendo feitas deixaram de ser apenas palavras jogadas ao vento e se transformaram em ação militar. Foi exatamente isso que os Estados Unidos fez ao invadir a capital da Venezuela e prender o ditador Nicolás Maduro.

O ditador foi preso e levado para os Estados Unidos com a alegação de ser um narcotraficante e incentivador dos cartéis que levam drogas para dentro do território norte-americano. Foi essa a justificativa dada pelo presidente Donald Trump, reforçando que o mesmo era uma ameaça para a segurança da América. Convenhamos, que essa foi apenas uma desculpa para poder tirar do poder um líder que no fundo ninguém quer, pois o mesmo, ao longo dos 12 anos que governou a Venezuela, na prática perseguiu opositores, prendeu e exterminou vários contrários a sua política “bolivariana”. Além dessas perseguições, Maduro promoveu a destruição da economia do seu País com o PIB chegando a apenas 1/3 da riqueza que possuía, que tinha a Venezuela ser comparada com a Itália. Isso levou pessoas passar fome, sem emprego, inflação nas alturas, corrupção ao extremo e sucateamento das plataformas de petróleo. É justamente essa questão do petróleo que está em jogo e é o maior interesse de Trump.

Nos anos 70, quando se descobriu reservas petrolíferas na Venezuela, o País, que então era aliados dos EUA, permitiu que empresas norte-americanas entrassem e explorassem o chamado “ouro negro”. A Venezuela tornou-se então, não apenas o País mais rico da América Latina, mas mais rico que muitos países da própria Europa. A qualidade de vida da população de Caracas, por exemplo, era melhor que a da população de capitais europeias, como é o caso de Paris, na França. A produção nos áureos tempos era de 3 milhões de barris de petróleo por dia. Hoje, com a ditadura de Chávez e Maduro, não chega a 1 milhão de barris por dia. Com a prisão de Maduro, o presidente Donald Trump conseguirá fazer com que empresas dos EUA voltem a explorar e vender esse petróleo para o mundo inteiro, sem contar, que conseguirá diminuir o preço do combustível dentro do seu próprio País.

Outro fator que precisa ser analisado com essa ação, é que os EUA dão um recado muito claro para outras duas potências mundiais, que é a China e a Rússia. Basicamente ele reedita a Doutrina Monroe de 1830, que foi criada no período dos processos de independência da América e tinha o claro objetivo de dizer para os europeus não se meterem aqui e deixar a “América para os americanos”. Da mesma forma agora, o recado é esse, Rússia e China, não se metam na América, pois aqui é “nós que mandamos”. Essa atitude abre um precedente tenebroso, pois a Rússia pode também se achar no direito de ocupar mais territórios, como tem feito na Ucrânia, e reeditar um desejo de Putin, que é um saudosista da antiga União Soviética. Da mesma forma, a China, que já manifestou interesse, pode ocupar Taiwan, região autônoma que fica apenas 180km da China e é altamente industrializada, a ponto de fazer parte do chamado “tigres asiáticos”, devido à riqueza lá produzida.

Enfim, o fato é que está se desenhando um novo cenário geopolítico mundial, muito semelhante ao que tínhamos nos anos 60, 70 e 80, ou seja, um mundo dividido entre as potências econômicas e militares e seus aliados. Como foi no período da chamada Guerra Fria, caberá a cada País, dependendo dos seus interesses, se submeter à vontade política e econômica de EUA, Rússia ou China.

Com essa ação militar dos EUA sobre a Venezuela, é exatamente isso que vem ocorrendo. Todos de sã consciência, concordam que Nicolás Maduro, como ditador sanguinário que é, deveria sim ser retirado por bem ou por mal do governo venezuelano. Porém, a manifestação de Donald Trump, que agora os EUA é que irão administrar a Venezuela é que deixa muitos preocupados. Afinal, quando alguém afirma e faz isso, tira totalmente a soberania, bem como a liberdade do povo de escolher seus representantes de forma democrática. É essa fala de Trump que tem incomodado muita gente, inclusive pessoas do seu próprio partido, que entendem que agora seria a hora dos EUA somente coordenarem uma eleição democrática e transparente, onde os venezuelanos escolheriam seu novo presidente, tendo a garantia que não haverá ameaças e nem fraudes eleitorais.

Porém, conhecendo a postura e personalidade de Trump é muito difícil que isso venha a ocorrer. Para piorar ainda mais, não bastando o ocorrido na Venezuela, o presidente dos EUA se achou agora no direito de querer se apossar da Groenlândia, ilha autônoma e administrada pela Dinamarca. As próprias lideranças europeias estão se preparando e não descartam a possibilidade de uma invasão norte-americana neste local. Isso causaria uma instabilidade enorme na OTAN, que é uma aliança política e militar dos países que ficam ao norte do Oceano Atlântico. Canadá e Europa já manifestaram apoio à Groenlândia e pensam em se reunir para discutir essas novas ameaças de Trump. Infelizmente o novo ano começa como terminou o anterior, com um mundo novamente dividido, em guerra e tendo suas principais potências controladas por líderes instáveis e não confiáveis.