Skip to content

Economia

Economia brasileira deve crescer menos de 2% em 2026, com juros ainda elevados, avalia especialista

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli
Economia do meio ambiente vem ganhando espaço no meio empresarial
Economia do meio ambiente vem ganhando espaço no meio empresarial

A economia brasileira deve enfrentar um ano de 2026 marcado pela cautela, crescimento moderado e manutenção de juros elevados. As projeções indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) dificilmente ultrapassará 2%, enquanto a inflação tende a permanecer sob controle, desde que a taxa básica de juros siga acima dos 14%.

De acordo com a professora e economista Cleide Moretto, segundo análises econômicas, o Banco Central deve manter uma política monetária restritiva ao longo do ano. A decisão está relacionada ao compromisso com a estabilidade dos preços, após o descumprimento da meta de inflação em 2025. Nesse cenário, a taxa Selic deve permanecer próxima de 15%, com possibilidade de uma redução tímida nos primeiros meses de 2026, mas sem espaço para cortes mais expressivos.

A desaceleração econômica observada em 2025, com queda nos investimentos e no consumo, contribui para reduzir as pressões inflacionárias. Ainda assim, especialistas alertam que o cenário fiscal limita qualquer movimento mais agressivo de flexibilização monetária.

Os gastos públicos continuam sendo um ponto de atenção. A política fiscal tem atuado como fator de compensação à desaceleração da economia, sustentando a atividade e o emprego. No entanto, o aumento das despesas públicas eleva o nível de endividamento, o que gera preocupação quanto à sustentabilidade das contas públicas, especialmente em um ano eleitoral.

Com maior endividamento, cresce também a necessidade de financiamento do setor público, principalmente por meio da emissão de títulos. Para atrair investidores, as taxas de juros precisam permanecer elevadas, o que reforça a tendência de manutenção da política monetária restritiva ao longo de 2026.

Outro fator que influencia as projeções, conforme a especialista, é a atipicidade do calendário do próximo ano. Além das eleições, 2026 contará com a realização da Copa do Mundo e um número significativo de feriados prolongados. Esses eventos podem reduzir a produtividade em alguns setores devido à diminuição das horas trabalhadas, embora segmentos como turismo e lazer tendam a ser beneficiados, com aumento da atividade econômica e do emprego.

Apesar das incertezas, a expectativa é de que o mercado de trabalho siga relativamente aquecido e que a inflação permaneça dentro da meta, desde que os juros se mantenham elevados. No entanto, o ambiente de negócios deve continuar marcado pela cautela, com empresários postergando decisões de novos investimentos.

Especialistas avaliam que a retomada mais consistente da economia dependerá de mudanças estruturais e de um planejamento de médio e longo prazo, especialmente em setores estratégicos como a indústria, fundamentais para sustentar o crescimento econômico nos próximos anos.