Emoção, Afeto e Comportamento: mudar hábitos é desafio, mas traz crescimento pessoal
O programa semanal Emoção, Afeto e Comportamento trouxe, em sua edição mais recente, uma reflexão profunda sobre a dificuldade de mudar hábitos e mentalidades, tema conduzido pelo psiquiatra Érico Hecktheuer. A conversa foi inspirada no livro americano Mindset, obra que aborda como padrões mentais moldam comportamentos e influenciam escolhas ao longo da vida.
Durante o programa, Érico destacou que mudar comportamentos não é simples porque grande parte do que fazemos é construída desde muito cedo. Segundo ele, a formação da personalidade começa ainda na gestação e se consolida nos primeiros anos de vida, a partir do ambiente familiar, do acolhimento recebido e dos valores priorizados. Esses fatores moldam a mentalidade e acabam se tornando naturais, difíceis de questionar ou alterar.
O psiquiatra explicou que famílias que valorizam o estudo, a cultura e o planejamento tendem a estimular filhos mais preparados para avançar em sua formação. Já em contextos onde a sobrevivência imediata é a principal preocupação, o desenvolvimento pode ficar limitado. Essa diferença de mentalidade, segundo Érico, não está ligada a mérito ou esforço individual, mas às oportunidades e estímulos recebidos ao longo da vida.
Um dos momentos marcantes do programa foi o relato de uma experiência pessoal vivida por Érico no litoral sul do Estado. Ao conversar com uma mulher que trabalhava em condições difíceis para sustentar a família, ele refletiu sobre como muitas pessoas vivem no modo sobrevivência, sem espaço para planejar novas possibilidades. O exemplo serviu para ilustrar como a falta de oportunidades e de incentivo ao aprendizado limita escolhas futuras.
Érico também destacou que cerca de 40% dos comportamentos humanos são automáticos. Atitudes como escovar os dentes, tomar banho ou seguir rotinas diárias acontecem sem reflexão consciente, como forma de economizar energia mental. Esse automatismo, embora necessário, contribui para a repetição de hábitos e para a resistência ao novo.
Segundo o psiquiatra, os seres humanos tendem a se apegar ao que é conhecido, previsível e emocionalmente confortável. Isso explica por que mudanças, mesmo pequenas, geram desconforto. Ainda assim, ele reforçou que investir em conhecimento, aprender novas habilidades e criar projetos de vida amplia possibilidades e reduz sofrimento.