Skip to content

Saúde

Dezembro Laranja: Carcinomas respondem por cerca de 90% dos casos de câncer de pele, diz dermatologista

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers
Dermatologist examining patient on light background

Foto reprodução internet

A campanha Dezembro Laranja, voltada à prevenção do câncer de pele, reforça a importância dos cuidados com a exposição solar durante o verão. O câncer de pele é o tipo mais comum da doença no Brasil e é responsável por cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). O tema foi abordado em entrevista à Rádio Uirapuru pela médica dermatologista Juliana Mazzoleni Stramari, integrante do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo.

Segundo Juliana Mazzoleni Stramari, apesar de amplamente divulgado, o uso diário do protetor solar ainda não é um hábito consolidado entre a população. A médica explicou que atualmente existe uma ampla variedade de protetores solares disponíveis, em diferentes texturas e formatos, o que permite adaptação a todos os tipos de pele. Conforme destacou, o protetor solar é a principal medida de prevenção contra o câncer de pele e deve ser utilizado diariamente, inclusive por pessoas que trabalham em ambientes fechados.

A dermatologista orientou que o protetor solar deve ter, no mínimo, FPS 30, sendo indicados fatores mais altos para pessoas com pele clara ou maior sensibilidade ao sol. Ela explicou que os protetores com cor são eficazes e recomendados, pois além da proteção solar formam uma camada adicional na pele. No entanto, ressaltou que bases cosméticas com fator de proteção não substituem o uso do protetor solar específico, sendo necessário aplicá-lo antes da maquiagem.

Durante a entrevista, Juliana Mazzoleni Stramari detalhou os principais sinais de alerta para o câncer de pele. Ela explicou que os cânceres não melanoma, como os carcinomas basocelular e espinocelular, representam cerca de 90% dos casos e estão relacionados à exposição solar crônica. Feridas que não cicatrizam, lesões que sangram, coçam ou apresentam mudanças ao longo do tempo devem ser avaliadas por um dermatologista. Já o melanoma, embora menos frequente, é mais agressivo e pode ser identificado por alterações em pintas, como assimetria, bordas irregulares, variação de cores, aumento de tamanho e evolução da lesão.

A médica ressaltou a importância do autoexame da pele, que deve ser realizado pelo menos uma vez por mês. Conforme explicou, observar regularmente manchas, pintas e feridas facilita a identificação precoce de alterações suspeitas, o que contribui para o diagnóstico em estágios iniciais da doença.

Ao abordar a realidade regional, Juliana Mazzoleni Stramari afirmou que o Sul do Brasil apresenta índices elevados de câncer de pele, principalmente em função da predominância de pessoas com pele clara e da exposição solar relacionada ao trabalho no meio rural. Ela explicou que os efeitos do sol são cumulativos e que a exposição desde a infância influencia diretamente no surgimento da doença ao longo da vida. No Hospital São Vicente de Paulo, os carcinomas basocelulares correspondem a cerca de 80% dos casos atendidos, seguidos pelos carcinomas espinocelulares, com aproximadamente 15%, e pelos melanomas, entre 5% e 8%.

Além do uso do protetor solar, a dermatologista orientou evitar a exposição ao sol entre 10h e 15h, período de maior intensidade da radiação ultravioleta. Ela também recomendou o uso de roupas com proteção UV, especialmente para crianças, destacando que bebês de até 6 meses não devem utilizar protetor solar e precisam ser mantidos longe da exposição direta.

Por fim, Juliana Mazzoleni Stramari alertou que não existe bronzeado saudável, pois o escurecimento da pele é uma resposta à agressão solar. Segundo ela, queimaduras solares aumentam o risco de câncer de pele no futuro, reforçando a necessidade de cuidados contínuos e de conscientização permanente, especialmente durante a campanha Dezembro Laranja.