Promotor afirma: Ministério Público abre nova era ao acusar gestores que perderam verbas para presídios
O Ministério Publico acusou nesta semana dois ex-integrantes da Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul, por improbidade administrativa. De acordo com a denúncia, o ex-secretário de Segurança Airton Michels, que hoje é procurador de Justiça, descumpriu uma decisão judicial que determina a criação de mais vagas, mesmo com aplicação de multa.
A promotora Daniele Schneider diz que Michels e Gelson Treisleben, ex-chefe da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), tentaram “ludibriar” autoridades e a população com promessas de locação ou construção de presídios.
Consta na denúncia ainda que eles deixaram de construir novas penitenciárias e devolveram aos cofres federais R$ 18 milhões, valor que viabilizaria obras de presídios.
Passo Fundo está na iminência de perder novamente a verba para construção de uma casa prisional. A responsabilidade para manter esta verba é do Estado, sendo que o governo federal já adiou o prazo para adequações para 15 de dezembro. Se a verba for devolvida, o presídio feminino que seria construído aqui, não sairá do papel.
Em entrevista na Uirapuru, o promotor de justiça Marcelo Pires afirmou que uma nova era está chegando para os administradores que agem de forma irresponsável diante destas questões.Para o promotor, o Ministério Público está colocando na mira gestores que não fazem. A prova disso é a acusação do MP que agora toma forma.
O promotor Marcelo Pires afirmou que a prática de não dar continuidade a projetos de administradores anteriores deve acabar. Lembrou da crise no sistema prisional que atinge o Estado, onde presos estão sendo mantidos algemados em lixeiras, viaturas e até mesmo em contêineres.
Esta situação é tão grave que o Estado cogita comprar estes contêineres ao custo de mais de R$3 milhões, o que, para ele, é uma medida paliativa. Para o promotor, a falta de interesse em continuar estes projetos é o que faz verbas serem perdias e até mesmo abandono do que já foi feito no passado.
O promotor lamentou mais uma vez que o povo seja penalizado por esta falta de interesse e destacou que é inadmissível que, em tempos de crise, dinheiro seja perdido.