Com chuvas dentro da média, plantio da soja chega a 90% na região
As condições climáticas e o andamento das lavouras, além de mudanças previstas na legislação tributária que afetam o setor rural, foram abordadas no Programa Cotações e Mercado. As informações foram apresentadas pelo engenheiro agrônomo Cláudio Doro, com foco na situação das culturas de verão e inverno e nos impactos das chuvas registradas na região.
De acordo com Cláudio Doro, as precipitações ocorridas no início da semana contribuíram para a recuperação das lavouras de soja semeadas mais recentemente e reduziram ou interromperam as perdas no milho. Ele informou que a chuva ocorreu de forma distribuída e dentro da média histórica para o mês de dezembro, citando dados da Embrapa, que apontam média mensal de 162,2 milímetros. Segundo ele, o acumulado registrado na semana foi de cerca de 71 milímetros, com localidades do interior superando os 100 milímetros.
No campo tributário, Cláudio Doro explicou que produtores com receita anual acima de 3 milhões e 600 mil reais passam a ser contribuintes obrigatórios da reforma tributária, a partir da referência de 2024. Ele destacou que a reforma trata apenas dos impostos sobre o consumo e não altera regras relacionadas à renda, ao patrimônio ou à previdência. Conforme o agrônomo, o Funrural permanece inalterado, por se tratar de contribuição previdenciária, sendo acrescentados apenas novos tributos ligados ao consumo.
Segundo o engenheiro agrônomo, o ano de 2026 será um período de transição e testes do novo modelo. Ele afirmou que produtores que cumprirem as obrigações acessórias, como a emissão de nota fiscal eletrônica com destaque da CBS e do IBS, não terão recolhimento desses tributos no ano experimental. Ainda conforme relatou, a partir de 2026 deixa de existir o bloco do produtor em papel, tornando obrigatória a utilização da nota fiscal eletrônica em todas as operações, mesmo em localidades com dificuldades de acesso à internet.
Em relação às culturas de inverno, Cláudio Doro informou que a colheita do trigo está praticamente concluída na região, com média aproximada de 60 sacas por hectare. Ele citou dados da Emater, que indicam produtividade média de 3.012 quilos por hectare no Rio Grande do Sul, equivalente a cerca de 50 sacas por hectare. A canola, segundo ele, também teve a colheita encerrada, concluindo o ciclo das culturas de inverno.
Sobre a soja, o agrônomo afirmou que cerca de 90% da área prevista já foi plantada na região, restando aproximadamente 10%, concentrados principalmente em grandes propriedades. Ele relatou que o plantio foi retomado após as chuvas e que a expectativa é de conclusão nos próximos dias. Conforme explicou, lavouras implantadas após a colheita do trigo receberam a umidade necessária para germinação, enquanto áreas plantadas no limite da janela recomendada podem não atingir o potencial inicialmente esperado.
Cláudio Doro também alertou para a necessidade de avaliação das lavouras com falhas de estande. Ele explicou que áreas com baixa população de plantas podem exigir replantio, sob risco de queda na produtividade. Segundo ele, sementes guardadas da safra anterior, marcada por estiagem, apresentam menor vigor, o que, aliado ao plantio em solo seco e a temperaturas elevadas, dificultou a germinação em algumas áreas. Para o agrônomo, o cenário indica que parte das lavouras deverá passar por replantio, em razão das dificuldades enfrentadas na implantação da safra.