EXCLUSIVO: Policiais militares presos em operação contra o golpe do consórcio são liberados
Os três policiais militares detidos na semana passada durante a operação Consortium II, deflagrada pela Polícia Civil de São Francisco de Assis, foram liberados na noite de segunda-feira (08). Eles estavam recolhidos no presídio militar de Porto Alegre e se apresentaram na manhã de terça-feira (09) no quartel do 3º Regimento de Polícia Montada (3º RPMOM), em Passo Fundo.
Apesar da liberação, os três seguem afastados de suas funções. Um deles já tinha processo de exclusão da Brigada Militar em andamento; o segundo militar também estava afastado anteriormente; e o terceiro, que seguia na ativa, foi afastado após o desencadeamento da operação.
Conforme a investigação, os policiais teriam atuado como escolta da organização criminosa responsável por aplicar o golpe do falso consórcio em diversos estados brasileiros. Uma imagem obtida pela reportagem da Rádio Uirapuru mostra dois golpistas sendo transportados em uma viatura da Brigada Militar conduzida pelos próprios policiais investigados.
Agora, os três responderão ao inquérito em liberdade, mas precisam cumprir uma série de determinações impostas pelo comando da Brigada Militar. Eles devem se apresentar com frequência no quartel do 3º RPMOM e permanecem sem farda, sem arma e sem diversos benefícios previstos para militares ativos.
As investigações da Polícia Civil seguem em randamento.
Relembre o caso
A segunda fase da Operação Consortium foi deflagrada pela Polícia Civil de Passo Fundo na manhã desta quinta-feira (4), mirando um dos maiores esquemas de estelionato envolvendo falsas cotas de consórcio contempladas já identificados no Rio Grande do Sul. A Rádio Uirapuru acompanha a ação desde as primeiras horas da manhã e apurou, com exclusividade, a lista completa dos presos.
A operação é decorrente de uma investigação iniciada em São Francisco de Assis, onde vítimas relataram ter adquirido consórcios de uma mulher do Norte do Estado. Após o pagamento, as cartas contempladas nunca eram entregues. O esquema, conforme a Polícia Civil, funcionava de forma estruturada há quase uma década, com ramificações em vários estados, incluindo SC, PR, SP, MT, AM e MG.
Na primeira fase, ocorrida em 21 de outubro de 2025, cinco pessoas foram presas em Passo Fundo. Na ocasião, os estelionatários eram suspeitos de movimentar mais de R$ 2 milhões no golpe. Agora, com o avanço das investigações, foram identificados prejuízos superiores a R$ 30 milhões, atingindo produtores rurais, empresários e até famílias que sofreram com enchentes e secas recentes no Estado — vítimas que, segundo a Polícia Civil, eram escolhidas pela fragilidade emocional e financeira.
A Uirapuru confirma, com exclusividade, os nomes dos presos na nova fase da operação:
* Marli Machado Genro
* Maurício Machado Genro
* Marcelo Pinto Azevedo
* Carla Tunzen
* Felipe Buhler
* Dionatan da Silva Vargas
* Danúbia Cátia de Lima
* Wagner William Wink Godoi
* Alexsander Banalletti Bramatti
* Vanessa Genrro Zimmermann
* Lucas Mateus Otramar Machado
Também foram presos três policiais militares de Passo Fundo:
* Luís Fernando Viecilli Bocchese
* Alcemir Rodrigues da Silva
* Cristiano Portella
Segundo a investigação, os policiais haviam sido alvos de busca na primeira fase, mas não haviam sido presos.
BRIGADA MILITAR JÁ MONITORAVA POLICIAIS SUSPEITOS
Após a operação a Uirapuru deu espaço para o Comandante do 3° RPMon-Regimento de Polícia Montada, Tenente Coronel Marcelo Scapin Rovani, falar sobre o envolvimento dos militares.
Durante a entrevista, o comandante afirmou que a atuação da Polícia Civil foi essencial para coibir a prática criminosa e destacou que a Brigada Militar já havia repassado informações à Polícia Federal sobre atos praticados pelos três policiais investigados. Ele explicou que, por se tratar de crimes de natureza econômica, a investigação vinha sendo conduzida em âmbito federal.
Rovani disse que um dos policiais já está em processo de exclusão da corporação, com pedido tramitando em Porto Alegre. Outro está afastado de suas funções desde a primeira fase da operação e responde a inquérito por fatos correlatos. O terceiro policial, ainda na ativa, também estava sob investigação e as informações colhidas foram entregues à Polícia Federal para subsidiar as ações que resultaram na operação.
O comandante reiterou que, embora a Polícia Civil tenha realizado esta nova etapa da operação focada nos estelionatos, a Brigada Militar acompanhava o caso e havia comunicado fatos relevantes às autoridades responsáveis. Ele afirmou que a operação da Polícia Civil acabou sendo antecipada em relação ao que a PF preparava, mas reforçou que a Brigada tinha controle e conhecimento sobre todo o andamento investigativo.
Ao comentar sobre a função desempenhada pelos policiais suspeitos, Rovani explicou que dois deles, já afastados, prestavam serviços de segurança para a empresa investigada. No caso do policial da ativa, ele destacou que foram feitas diversas diligências para averiguar se o militar estava utilizando suas funções públicas para beneficiar o grupo. Inicialmente, a corregedoria não havia identificado uso indevido das atribuições, mas a investigação da Polícia Civil apontou possível intervenção do policial, inclusive com uso de viatura. Diante disso, Rovani afirmou que ele também será afastado tão logo ocorra a notificação oficial e perderá todas as atribuições funcionais, respondendo pelos atos cometidos.