Túmulos são violados em cemitério de Santo Antão; líderes religiosos repudiam ato
Na manhã de ontem (25), a reportagem da Rádio Uirapuru recebeu denúncias de ouvintes sobre violações de túmulos no cemitério de Santo Antão, em Passo Fundo. De acordo com os relatos e com as imagens enviadas à emissora, alguns jazigos foram alvo de depredação, estando violados e abertos. Além disso, ao redor dos túmulos era possível observar animais, como galinhas vivas e mortas, além de comidas e bebidas espalhadas pelo local, o que assustou frequentadores do cemitério.
Nos relatos encaminhados, ouvintes sugeriram que os itens deixados no local fariam parte de um suposto “trabalho” ou “despacho”. Em contato com a reportagem da Rádio Uirapuru, diversos pais e mães de santo se posicionaram categoricamente contra a situação, afirmando que esse tipo de ato não representa as religiões de matriz africana. Em entrevista à Uirapuru, a mãe de santo Marlene de Oiá, embaixatriz dos cultos afro pela Federação Afroconesul, destacou que religiões como umbanda, quimbanda e candomblé não têm qualquer relação com práticas que envolvam violação de túmulos.
Segundo ela, esses atos são cometidos por pessoas que buscam desumanizar essas religiões e sua cultura. Mãe Marlene reforçou que se trata de vandalismo, e não de um ato religioso, e ressaltou que ações como essa prejudicam a imagem das religiões de matriz africana perante a sociedade. Ela lembrou que essas tradições possuem locais específicos para a realização de seus rituais e preceitos. Conforme explicou, o cemitério é considerado um campo santo, e práticas como essa violam os direitos humanos, desrespeitam as famílias e a memória de quem está enterrado ali.