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Segurança

Forças de segurança alinham medidas após morte de Greice Keli na frente dos filhos em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A Brigada Militar de Passo Fundo apresentou, nesta segunda-feira (24), as medidas adotadas após o ataque registrado no fim de semana, que resulta na morte de Greice Keli Marquês, de 38 anos. A mulher é esfaqueada no último sábado (22), na Rua Capitão Araújo, área central de Passo Fundo, e deixa uma filha de 15 anos e um filho de oito. A irmã dela e um motoboy que tenta intervir também são feridos. O ataque é cometido por Misael Camargo, homem em situação de rua. O caso provoca mobilização da comunidade e reforça os questionamentos sobre segurança pública e sobre o acompanhamento de pessoas que vivem nas ruas do município.

Durante entrevista concedida à Rádio Uirapuru, o comandante do 3º Regimento de Polícia Montada, tenente-coronel Marcelo Scapin Rovani, afirma que o caso preocupa as forças de segurança da cidade. Segundo ele, o homem detido pelo ataque acumula, ao longo de 2025, vinte interações registradas pela Brigada Militar, entre abordagens, ocorrências e encaminhamentos por suspeitas diversas. Rovani explica que nenhuma dessas situações resulta em prisão por falta de elementos que permitissem flagrante, mas todas são registradas formalmente ou encaminhadas aos serviços de assistência social.

O comandante informa que o suspeito apresenta comportamento de resistência tanto às ações policiais quanto ao acompanhamento da rede municipal de apoio, como atendimento pelos Centros de Atenção Psicossocial e acesso ao albergue municipal. Conforme Rovani, o histórico indica que o homem não aceita acompanhamento ou suporte ofertado pelos órgãos públicos. Ele afirma que, apesar das diversas intervenções, não é possível evitar o desfecho violento registrado no fim de semana.

A Brigada Militar divulgou nota oficial sobre o caso  expressando preocupação com a possível soltura do suspeito, preso em flagrante após o ataque na rua Capitão Araújo. Na entrevista, Rovani reforça que o texto enviado à imprensa destaca o histórico de envolvimento do homem com delitos ao longo de mais de vinte anos. Ele afirma que a sensação de segurança da população depende também de perceber que pessoas que cometem crimes são alcançadas pela Justiça.

Rovani afirma que decisões judiciais que permitem a liberdade de pessoas com histórico de violência geram preocupação e impacto direto na percepção de segurança. Ele destaca que a notícia sobre a soltura do suspeito provoca forte reação entre moradores e repercute além de Passo Fundo. O comandante afirma que a comunidade interpreta a medida como uma falha na resposta do sistema de Justiça a crimes graves.

Na avaliação do comandante, o não alcance da Justiça reforça a insegurança e amplia a sensação de que crimes desta natureza não podem ser tratados de forma branda. Rovani afirma que a Brigada Militar cumpre seu papel no atendimento às ocorrências, que a Polícia Civil conduz a investigação e que o Ministério Público atua nos encaminhamentos legais, mas destaca que decisões judiciais posteriores interferem diretamente na resposta dada à sociedade.

Sobre ações a partir do caso, o comandante informa que a Brigada Militar realiza reunião com o prefeito, com a Secretaria de Assistência Social e com a Secretaria de Segurança Pública do município. Ele afirma que há planejamento para intensificar o monitoramento de pessoas em situação de rua, sobretudo de quem apresenta histórico de violência, resistência às abordagens ou recusa de acompanhamento pelos serviços públicos.

Rovani explica que as forças de segurança já conhecem a maior parte das pessoas que vivem nas ruas da cidade e que cada caso envolve diferentes situações sociais ou familiares. Ele afirma que ações conjuntas devem ser ampliadas para identificar pessoas que chegam ao município e que ainda não são conhecidas pelos órgãos responsáveis. Segundo o comandante, a atuação conjunta busca prevenir novos episódios de violência e acompanhar mais de perto situações que envolvam possíveis transtornos mentais, psicológicos ou psiquiátricos.

Ao encerrar a entrevista, Rovani afirma que a Brigada Militar permanece à disposição da comunidade e reforça que a participação dos veículos de comunicação é fundamental para identificar demandas da população e orientar prioridades de atuação.