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Jornal TROCA-TROCA

Editorial do Jornal Troca-Troca dessa sexta-feira (14) :

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Pela primeira vez na história das COPs, o Brasil tornou-se sede deste grande evento que trata e busca alternativas diante das mudanças climáticas que o mundo vem enfrentando. Há 33 anos, o Brasil foi sede da Rio 92, que foi o embrião da COP, sendo na época uma reunião sobre o desenvolvimento sustentável e que na época identificou três processos naturais de grandes riscos: à desertificação, perda da biodiversidade e mudanças climáticas. A partir de então se criou a COP, sigla inglesa para Conference of the Parties, ou seja, Conferência das Partes, mas popularmente conhecida como Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas. A primeira COP ocorreu em Berlin, na Alemanha, em 1995. Agora na sua 30ª edição, a COP, de forma inédita, é realizada em nosso País, tendo como sede Belém, capital do Pará, informalmente chamada de COP da Amazônia. 

O mundo todo está envolvido em torno do tema “mudanças climáticas” e que se tornou universal nas últimas 4 décadas. Há 30 anos, quando da 1ª edição da COP, o temor de um desastre ambiental se transformou em realidade inconteste e afetando todo o nosso planeta Terra. O editorial do Jornal do Troca não poderia deixar de abordar essa semana o tema da conferência mundial de mudanças climáticas. Não somente pela importância da pauta, mas também pelo histórico do grupo Uirapuru de comunicação, que há anos realiza programas e desenvolve campanhas com foco no Meio Ambiente. Exemplo disso é o premiado programa Uirapuru Ecologia, levado ao ar todos os sábados pela manhã. Mais do que isso, é bom lembrar que esta pauta ambiental, lá no seu início, final dos anos 70, aqui mesmo em Passo Fundo tivemos um desbravador, que foi o médico Dr. Paulo Fragomeni, ambientalista e botânico por paixão. Já naquela época ele mostrava às barbáries e agressões que o humano praticava contra o planeta, muitas até de forma inconsciente, achando que o meio ambiente era algo a não ser considerado. Todos achávamos que era uma pauta desinteressante e que ficava em segundo plano em nossas vidas. Naqueles, nem tão longínquos anos, o assunto meio ambiente era considerado coisa de maluco, ou de esquerdista, em pleno período da ditadura militar, um subversivo a ser combatido. Iniciava-se também nesta época o viés político da pauta ambiental.

Felizmente, depois de muitas abordagens e constatações que vivemos neste ambiente que destruímos e ainda o depredamos, a consciência geral apareceu e se iniciou a busca por soluções para frear o impacto e dano crescente. Apesar de todos os pesares em relação à organização desta COP no Brasil, podemos dizer que a essência desta conferência é muito válida, pois reúnem-se em torno de uma mesma mesa e local mais de 200 representações de Países, todos preocupados com o futuro da humanidade. Lamenta-se apenas a ausência de representatividade dos dois maiores poluidores do mundo: Estados Unidos e China. De qualquer forma, 200 países valem mais que os dois ausentes quando o assunto é a preservação ambiental e consequentemente a continuidade da espécie humana de poder caminhar sobre o planeta. Seis bilhões de pessoas têm um peso bem maior do que 2 bilhões que ainda desprezam a qualidade do ar que respiramos e a terra onde moramos e produzimos nosso sustento.

Infelizmente, esse vírus negacionista que contamina a muitos neste últimos anos, em diversas temáticas, aponta sua mira para o meio-ambiente, dizendo que aquecimentos global é invenção de comunista, desconsiderando completamente a ciência e pesquisas provadas e comprovadas. Um exemplo desse negacionismo, é o desatino recente desses bitolados, onde vimos disseminarem em redes sociais com diversos simpatizantes e seguidores que a tragédia da semana passada no Paraná, com um furacão de velocidade e destruição local jamais vista no Brasil, não existiu. Que tudo não passou de montagens feitas pela IA para agradar esquerdistas e justificar defesas que fazem para soluções de se conter aquecimento global. A que ponto chega essa imbecilidade.

Em várias outras crises já assistimos algo semelhante, mas particularmente na pandemia do COVID, quando negaram a gravidade, protelaram respostas e orientações científicas para se evitar a propagação e mortandade que se viu, particularmente no Brasil, onde proporcionalmente tivemos um dos maiores índices de mortes do mundo. O absurdo foi tamanho a ponto de fazerem campanhas contra vacinação, além de medicamentos e alquimias criadas por ignorantes e outros de má-índole. O malefício que fizeram com essa questão da vacina foi tamanho que até hoje pagamos o preço, como é o caso da volta de doenças extintas, e que só retornaram devido a pessoas iludidas que não querem se vacinar.

Evidente que só registramos isto agora, pois o momento é outro, e grande maioria já se convenceu de que tudo era uma ilusão pregada por grupos negacionistas, que vivem sempre no contra e buscam ali a repercussão para criar vertentes políticas e eleitoreiras. Assim está o mundo. Por isso, a COP, por pior que possa ser sua organização, é um clamor mundial que busca atingir a todos, do mais simples cidadão que mora nos confins da Amazônia, até o mais requintado e culto empreendedor de um grande centro como São Paulo.

Cremos que todos esses, em algum  momento farão uma reflexão com suas consciências e se não pensarem em si mesmo, irão pensar em seus filhos, netos e  descendentes, que ocuparão nossos lugares por aqui. “Que mundo será que deixarei para meus filhos”? Um mundo com gordas contas bancárias, porém, sem poder respirar com qualidade, com terras devastadas e inférteis e sem água para beber? Precisamos nos dar conta que ninguém é inimigo de ninguém neste contexto posto e é evidente que precisamos produzir, evoluir e viver, porém de forma sustentável, sem agressões ambientais, pois se essas continuarem ocorrendo, em pouco tempo nós humanos, seremos considerados uma espécie em extinção.