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Geral

Réu acusado pela morte de médico em Passo Fundo admite ter bebido antes do acidente, mas afirma que estava lúcido ao volante

Públicado em Por RD Uirapuru / Leandro Vesoloski

O réu Manoel Fernandes, acusado de homicídio qualificado pela morte do médico Jônatas Conterno, ocorrida em fevereiro de 2018, foi interrogado na tarde desta terça-feira (28) pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, pelo Ministério Público e por sua defesa técnica.

Durante o depoimento, Manoel admitiu ter consumido bebida alcoólica no início da festa da qual participou antes do acidente. Disse acreditar ter bebido dois copos de cerveja, e posteriormente afirmou que a quantidade não passou de cinco.

O acusado negou as versões apresentadas por testemunhas que afirmaram tê-lo visto saindo da festa cambaleando. Segundo ele, estava lúcido e o trânsito era moderado no momento do fato. Contou que, ao fazer uma curva sob sol forte, sentiu ter atingido algo, mas não sabia o que era. “Não vi o corpo sendo arremessado. Jamais faria mal a uma pessoa. Não saí de casa para matar ninguém”, declarou.

Manoel Fernandes afirmou que teria parado o carro se percebesse que havia atropelado alguém. Relatou que, ao tentar estacionar, colidiu no portão de uma residência, momento em que percebeu a aproximação da polícia. Disse que foi retirado à força do veículo e informado pelos policiais sobre a morte do médico.

Questionado pelo promotor de Justiça, Manoel respondeu que acredita estar a cerca de 80 km/h no momento do impacto, mas disse não lembrar se havia placa de 40 km/h no trecho. Reiterou que o sol o impediu de enxergar o que havia atingido, negou ter tentado fugir e afirmou que não resistiu à abordagem.

O acusado contou ainda que o para-brisa do carro não chegou a ser danificado no momento do atropelamento e que o veículo foi destruído apenas depois, na batida contra o portão. Emocionado, declarou que o acidente foi “a pior coisa que aconteceu” em sua vida. “Nunca quis mal a ninguém. Se pudesse voltar atrás, não teria nem saído de casa”, disse.

Fernandes relatou que viu posteriormente, em vídeo, que a vítima estava sobre a pista de rolamento. Disse acreditar que o desfecho não mudaria mesmo se tivesse parado para prestar socorro. Atualmente, cumpre medidas cautelares que o impedem de dirigir, com restrição de horários para sair e retornar para casa.

Por fim, afirmou que eventualmente consome bebida alcoólica em casa, reforçou o arrependimento e disse “sentir muito pelo ocorrido”.

Com o término do interrogatório, o julgamento entra agora na fase de debates entre a acusação e a defesa, etapa em que as partes apresentam suas teses finais aos jurados antes da sentença.