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Educação

Especialistas afirmam que dar limites às crianças é um ato de amor

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

O programa Sem Segredo deste sábado (11), véspera do Dia da Criança, reuniu três especialistas para discutir um tema fundamental na educação: a importância de estabelecer limites para crianças e adolescentes. A neuropediatra Marcela Monteiro, a pedagoga Viviane Prado e a neuropsicopedagoga Marlize Belin trouxeram perspectivas complementares sobre o assunto.

A pedagoga Viviane Prado destacou que estabelecer limites é uma necessidade para a convivência em sociedade, permitindo o respeito aos espaços do outro. Ela enfatizou que, embora a família seja a primeira responsável por esta construção, o processo não é apenas familiar, mas social. “A família é a primeira responsável por estabelecer e trabalhar os limites com seus filhos. Mas quando eles chegam na escola, a escola tem um papel colaborativo”, afirmou. Viviane também chamou a atenção para a realidade atual, onde crianças muito jovens passam longos períodos na escola, o que exige um trabalho conjunto entre família e instituição de ensino. “Precisa ser um trabalho colaborativo. Hoje a nossa sociedade exige isso”, completou.

A neuropsicopedagoga Marlize Belin abordou a consequência da falta de limites em casa. “Na escola acabamos fazendo o trabalho dos pais. A gente trabalha fortalecendo o limite e a importância dele ter esse limite”, explicou, referindo-se à atuação dos educadores como uma forma de suporte. Ela analisou a dificuldade que muitos pais têm em dizer “não”, atribuindo-a a um fenômeno social. “O medo de dizer o não, o medo de ver o filho chorar, o medo de ver o filho frustrar-se” são fatores que impedem a ação, segundo ela. Marlize também citou uma “espécie de compensação” por parte de pais que passam pouco tempo com os filhos, evitando frustrá-los como forma de compensar a ausência.

A neuropediatra Marcela Monteiro trouxe uma reflexão pessoal e profissional, enfatizando que o “não” dado de forma respeitosa é um ato de amor. “A gente precisa desentender que quando a gente dá um não para algumas situações, isso também é amor”, disse. Ela se posicionou veementemente contra o uso da violência como ferramenta educacional. “Violência só vai gerar mais violência”, afirmou. Marcela defendeu que a frustração, quando bem conduzida, é essencial para formar seres humanos resilientes e capazes de lidar com as adversidades. “Um não, na hora certa, ele sim contribui para um ser humano resiliente”, concluiu.

Consenso contra a violência

As três especialistas convergiram em um ponto crucial: a rejeição total à violência física e psicológica na educação. Viviane Prado reforçou que limites devem ser estabelecidos pelo respeito e não pelo medo, e que a agressão, além de crime, tende a ser replicada pela criança em outros ambientes, como a escola. A coerência entre o discurso e a prática dos adultos também foi apontada como elemento fundamental para o aprendizado dos limites pelas crianças.