Skip to content

A gente não escolhe o que sente, mas pode escolher como se comportar com isso

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
Imagem não disponível

Não escolhemos os sentimentos que nos visitam. Eles surgem como ventos que atravessam a janela da alma: ora suaves, trazendo frescor e esperança, ora tempestuosos, sacudindo tudo o que parecia em ordem. Não nos é dado decidir se a tristeza chegará, se a saudade baterá à porta ou se a alegria fará morada. Os sentimentos nascem das circunstâncias, das memórias, das provas que a vida coloca em nosso caminho. São reflexos da nossa humanidade, que nos recordam de que ainda caminhamos em aprendizado.

Mas se não podemos impedir que eles nasçam, podemos, sim, decidir o que fazemos diante deles. O coração sente, mas é a consciência que dirige o gesto. A dor pode nos visitar, mas cabe a nós escolher se a transformaremos em silêncio amargo ou em paciência que educa. A saudade pode pesar, mas está em nossas mãos cultivá-la como lembrança luminosa, em vez de deixá-la se tornar prisão. A indignação pode latejar dentro de nós, mas podemos convertê-la em esforço de compreensão, em prece, em diálogo construtivo.

É nesse exercício que a alma amadurece. Cada emoção é matéria-prima: pode ser pedra que fere ou barro que se molda em aprendizado. A vida nos apresenta os sentimentos como lições ocultas, pedindo que aprendamos a não sermos escravos daquilo que sentimos, mas senhores do modo como reagimos.

Talvez seja esta a lição que o presente momento lhe traz: aceitar a realidade interior sem negá-la, mas também sem permitir que ela determine seus passos de forma cega. O coração pode chorar, mas as mãos podem continuar a semear o bem. A mente pode se agitar, mas a palavra pode escolher o tom da serenidade. O corpo pode se cansar, mas a alma pode sustentar-se em oração.

No fundo, a vida deseja nos ensinar a arte da transformação: receber o sentimento como ele vem e devolvê-lo à existência como algo maior e mais nobre. Esse é o ofício do espírito em crescimento: não negar o que sente, mas aprender a purificar cada emoção em gesto de amor, paciência e luz.

Notícias Relacionadas