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Saúde

Especialista ressalta avanços da ortopedia e papel do IOT como centro de referência 

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Avanços tecnológicos e inovação em métodos cirúrgicos têm ampliado a atuação dos ortopedistas no país, com impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. Nesse cenário, o Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) de Passo Fundo se destaca como referência nacional, tanto pelo atendimento quanto pela formação de profissionais. O médico André Kuhn, especialista em cirurgia do joelho, abordou o tema em entrevista à Rádio Uirapuru no Dia do Ortopedista, comemorado na sexta-feira, 19 de setembro.

Segundo Kuhn, a ortopedia e a traumatologia atuam de forma complementar. A traumatologia trata os acidentes, como fraturas e lesões musculares ou tendíneas, enquanto a ortopedia é voltada à prevenção e à reconstrução de problemas congênitos ou adquiridos. Ele explicou que essa área acompanha o aumento da longevidade da população, proporcionando qualidade de vida por meio da recuperação da autonomia de movimento.

De acordo com Kuhn, a ortopedia é abrangente e engloba desde microcirurgias até reconstruções complexas, como artroplastias e procedimentos pediátricos. Ele afirmou que a área, antes marcada por estigmas, hoje reúne técnicas de alta precisão, atraindo profissionais interessados tanto no cuidado de lesões esportivas quanto na reabilitação de deformidades graves.

O médico ressaltou que o IOT mantém parceria com o Hospital São Vicente, oferecendo consultas, exames e cirurgias em um mesmo espaço, o que atrai pacientes de diferentes regiões do país. Ele observou que cerca de 80% dos atendimentos são de pessoas oriundas de outros municípios, configurando o que chamou de turismo da saúde.

Kuhn destacou também o pioneirismo do IOT na cirurgia robótica ortopédica, sendo Passo Fundo a primeira cidade do interior do Brasil a realizar esse procedimento. Ele informou que o instituto já acumula uma das maiores experiências da América Latina na área, com pacientes vindos de estados e até de outros países. O médico explicou que a tecnologia garante maior previsibilidade, segurança para o profissional e melhores resultados para o paciente.

Sobre o acesso a serviços especializados, Kuhn afirmou que a principal dificuldade está no financiamento da saúde pública, que muitas vezes depende de consórcios regionais e de gestão adequada dos recursos disponíveis. Ele defendeu a necessidade de ampliar a oferta de atendimentos para reduzir o tempo de espera de pacientes que necessitam de cirurgias.

O especialista acrescentou que, com o avanço da medicina, é possível realizar próteses em pacientes idosos, inclusive nonagenários, desde que haja planejamento clínico adequado. Segundo ele, a reabilitação precoce após a cirurgia reduz riscos e permite rápida retomada das atividades.

Kuhn relatou ainda que viaja neste mês à Índia para conhecer uma nova tecnologia de cirurgia robótica autônoma desenvolvida na Ásia e que pode ser introduzida no Brasil nos próximos anos.

Por fim, o médico lembrou que o IOT de Passo Fundo completará 50 anos em breve e informou que está sendo programado um congresso médico em parceria com a Sociedade de Ortopedia do Rio Grande do Sul para marcar a data, reforçando o compromisso da instituição com a educação e a formação de profissionais.