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Geral

Dia Mundial da Prevenção da Camada de Ozônio: geólogo explica avanços e monitoramento no Brasil

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A data de 16 de setembro é dedicada à prevenção da camada de ozônio, proteção natural da Terra contra a radiação ultravioleta, responsável por danos à saúde e ao meio ambiente. A Rádio Uirapuru conversou sobre o tema com o geólogo Luiz Paulo Fragomeni, especialista em Tecnologia Ambiental, mestre em Geologia Ambiental e arqueólogo.

Fragomeni explicou que a camada de ozônio age como uma barreira que impede que a radiação ultravioleta atinja diretamente a superfície terrestre. O excesso dessa radiação pode degradar o DNA e provocar câncer. Segundo ele, na década de 1970 e 1980, estudos identificaram uma redução significativa na espessura da camada, principalmente sobre a Antártica, o que motivou a assinatura do Protocolo de Montreal em 1987. O acordo internacional, ratificado por 197 países, visou proibir o uso de produtos industriais com clorofluorcarbonos, conhecidos como CFCs, comuns em refrigeração e aerossóis.

Fragomeni destacou que, após décadas, os efeitos desses compostos persistem, mas o buraco na camada de ozônio deixou de crescer. Estudos recentes indicam que, desde 2020, há sinais de recuperação, com uma redução aproximada de 20% no tamanho do buraco. A expectativa é que a camada se recupere completamente até 2060. Para o geólogo, a ação conjunta de países em torno de uma causa ambiental demonstra que é possível alcançar resultados significativos quando há cooperação internacional.

Em relação às inovações tecnológicas, Fragomeni apontou que os gases utilizados para refrigeração foram substituídos por substâncias inertes, que não prejudicam a camada de ozônio. Ele ressaltou que, embora o mercado tenha inicialmente reagido, a adaptação tecnológica permitiu manter os processos industriais sem impactos ambientais.

O monitoramento da radiação ultravioleta e da espessura da camada de ozônio, inclusive de forma regionalizada, também evoluiu. Desde 2024, a Universidade de Santa Maria é referência nacional para a medição e regulação desses parâmetros, permitindo acompanhar variações sazonais do buraco sobre a Antártica, que podem ocasionalmente influenciar o Rio Grande do Sul. Fragomeni lembrou que aplicativos de celular fornecem informações localizadas sobre a intensidade de radiação ultravioleta, permitindo que a população se proteja de forma prática.

O geólogo finalizou destacando que a recuperação gradual da camada de ozônio é um exemplo de como a ação coordenada e baseada em ciência pode gerar impactos positivos duradouros para o planeta.