Segundo dia de julgamento: defesa de Bolsonaro e generais contesta provas, delação de Cid e atuação de Moraes
O segundo dia do julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus pela suposta trama golpista teve a apresentação das defesas do ex-presidente e de três generais. O destaque ficou para Celso Vilardi, advogado de Bolsonaro.
Em sua argumentação, ele afirmou que o ex-presidente é inocente e que não há provas que o liguem aos atos golpistas, aos ataques de 8 de janeiro e ao suposto plano de assassinato de autoridades.
Vilardi afirmou ainda que a delação de Mauro Cid não se sustenta, alegando diversas violações do acordo.
Nesta quarta-feira (3), a sessão ocorreu apenas na parte da manhã e durou quase quatro horas. O advogado de Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Dr. Matheus Mayer Milanez, questionou a conduta do ministro Alexandre de Moraes em relação às testemunhas do caso e afirmou que um juiz não pode se tornar “protagonista do processo”. Ele negou a politização do GSI e declarou que o general não pressionou militares a participarem de um golpe.
O advogado Andrew Fernandes, representante do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, afirmou que seu cliente tentou afastar Bolsonaro de quaisquer tentativas golpistas. Segundo a defesa, as evidências de que ele não participou da trama são os ataques que sofreu de outros membros das Forças Armadas.
José Luís Oliveira Lima, advogado do general Walter Souza Braga Netto, foi o último a se pronunciar. Ele dedicou boa parte de seu tempo a contestar a validade da delação de Mauro Cid, dizendo que “não se sustenta de forma alguma”. Para o advogado, Cid “mente descaradamente”.
Ele também alegou que o tenente-coronel do Exército foi pressionado a delatar — algo que já foi negado pela própria defesa de Cid.
O advogado afirmou que o ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente nas eleições de 2022 é “inocente” e deve ser absolvido no julgamento sobre a tentativa de golpe.
O julgamento será retomado apenas na próxima terça-feira (9), a partir das 9h, com o voto dos ministros do STF.