Trabalhadores da Codepas fazem paralisação e protestam contra o fim do transporte coletivo
Ainda na última semana, a CODEPAS, autarquia municipal responsável pelo transporte coletivo, recolhimento de lixo e controle do estacionamento rotativo de Passo Fundo, anunciou, após reunião com o sindicato SINDIURB — este representando os trabalhadores dos coletivos — que não terá condições de operar diante do novo formato previsto no edital do transporte coletivo urbano de Passo Fundo.
Este edital será publicado nos próximos meses e, quando entrar em vigor, as novas regras deverão excluir a CODEPAS e causar a demissão de mais de 100 servidores, ainda que concursados.
Na manhã desta segunda-feira (18), os servidores realizaram uma assembleia e deliberaram por paralisar as atividades ao longo do dia, retornando normalmente nesta terça-feira (19). Já na quarta-feira, dia 20, provavelmente será feita nova paralisação.
O grupo veio até a Uirapuru no início da tarde, onde foi atendido e, através do vice-presidente do SINDIURB, Miguel dos Santos, expôs a situação para a comunidade.
Miguel disse que o grupo quer uma investigação do poder público sobre o que classificou como “um descaso” que vem ocorrendo na CODEPAS. Ele afirmou que a dívida alegada, de R$ 50 milhões, é referente ao todo da companhia, e não exclusiva do setor de transporte coletivo.
Segundo Miguel, o procurador municipal informou que o Índice de Passageiros por Quilômetro (IPK) da companhia é melhor que o de outra empresa atuante na cidade. Este seria um dos motivos para o fechamento da CODEPAS, pois a passagem precisaria ser mais barata, o que implicaria no encerramento das atividades da autarquia e abriria caminho para a empresa vencedora da licitação.
Ele também criticou a justificativa de que o custo da CODEPAS com pessoal seria maior, destacando que a companhia virou um “refúgio para empregos”, enquanto os trabalhadores concursados serão prejudicados pelo seu fechamento.
Do ponto de vista legal, afirmou que o sindicato encaminhou denúncias a todos os setores da esfera judicial, buscando uma resposta, e criticou a falta de uma ampla investigação por parte das autoridades.