Justiça marca novo júri para “Costinha” acusado de participação na Chacina da Cohab em Passo Fundo
A Justiça de Passo Fundo marcou para o dia 11 de setembro de 2025, às 9h, o novo julgamento de Luciano Costa dos Santos, conhecido como “Costinha”, acusado de participação na Chacina da Cohab, crime ocorrido em maio de 2020 e que chocou a cidade pela brutalidade e pela frieza na execução.
A decisão cumpre determinação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), que atendeu recursos tanto do Ministério Público quanto da defesa, determinando a realização imediata de um novo júri. O juiz responsável destacou no despacho: “Procedo à inclusão do feito na primeira data desimpedida deste juízo”.
O crime
Na noite de 19 de maio de 2020, três pessoas da mesma família foram assassinadas dentro de casa no bairro Cohab I, em Passo Fundo: Diênifer Padia (26 anos), seu cunhado Alessandro dos Santos (34 anos) e a adolescente Kétlyn Padia dos Santos (15 anos). Todas morreram por asfixia mecânica, com uso de lacres plásticos (“enforca-gato”).
As investigações apontaram que o crime foi motivado por questões pessoais. Diênifer teria mantido um relacionamento extraconjugal com seu patrão, Eleandro Roso, que resultou no nascimento de uma criança. Ao descobrir, a esposa de Eleandro, Fernanda Rizzotto, teria planejado a morte da jovem. Alessandro e Kétlyn foram mortos para eliminar testemunhas.
Mandantes, foragidos e prisões
Segundo a acusação, o plano foi arquitetado por Eleandro Roso, Fernanda Rizzotto e o irmão dela, Claudiomir Rizzotto. Para executar o crime, eles teriam contratado Luciano Costa dos Santos (Costinha), que repassou a missão a dois homens ainda não identificados.
Após o crime, Fernanda e Claudiomir permaneceram foragidos por mais de quatro anos até serem presos em 2024. Eleandro Roso foi capturado em 2020 e condenado, em 2022, a mais de 60 anos de prisão após revisão pelo TJRS.
Costinha foi preso em 2020 e levado a júri popular em agosto de 2024, sendo condenado a 44 anos de prisão por dois homicídios e absolvido de um. Já Monalisa Kich Anunciação, então companheira dele e acusada de atrair Diênifer sob pretexto de comprar um celular, foi absolvida.
Nulidades e novo julgamento
O Ministério Público recorreu do resultado do júri de 2024, alegando nulidades como contradições nas respostas dos jurados e a exibição de um vídeo não constante nos autos.
A defesa de Costinha, representada pelo advogado criminalista Dr. José Paulo Schneider, também pediu a anulação do julgamento, sustentando incoerência no veredito, já que o réu foi condenado por dois homicídios e absolvido de outro ocorrido no mesmo contexto.
O advogado afirmou acreditar plenamente na inocência de seu cliente:
Acredito plenamente na absolvição. No primeiro júri, ele foi absolvido da principal morte por ter ficado demonstrado que ele não teve relação com os fatos. Em dois dias de júri, nós conseguimos comprovar que o Costinha teve um envolvimento inicial e que terminou, de acordo com as provas dos autos, em final de março, tendo os fatos ocorridos somente em maio. Ou seja, da última ação dele até os fatos passaram mais de 60 dias, não havendo qualquer prova que ligue ele com a data deste bárbaro crime. A verdade é que o responsável por ser o elo entre os mandantes e os executores está solto, rindo da Justiça. Esse novo júri será uma nova oportunidade de apresentar todos os equívocos deste caso, que não são poucos, tanto que até hoje não se tem a elucidação a respeito dos executores.”
O novo julgamento deverá mobilizar grande atenção da comunidade, familiares das vítimas, autoridades e imprensa.