Nas Entrelinhas: Falta de efetivo no IGP e no IML compromete investigações e causa atrasos em necropsias
Durante o quadro Nas Entrelinhas, da Rádio Uirapuru, o comentarista Mauro Vinícius de Moraes apontou a defasagem de pessoal no Instituto-Geral de Perícias (IGP) e no Instituto Médico Legal (IML) como um dos principais entraves ao andamento de investigações criminais e ao atendimento das demandas periciais no Rio Grande do Sul. Segundo ele, há casos de absolvição de réus por falta de laudo definitivo, o que compromete a responsabilização penal.
Mauro relatou um caso ocorrido em Porto Alegre, no qual um suspeito preso com drogas foi absolvido porque, após sete meses, apenas o laudo referente à maconha havia sido concluído, enquanto o laudo sobre as porções de ecstasy não foi apresentado. “O juiz explicou que não poderia condenar o réu sem o laudo pericial definitivo”, afirmou. De acordo com o comentarista, a defasagem no quadro de servidores chega a 60% em funções como técnicos em perícias, papiloscopistas e fotógrafos criminalísticos.
A situação se repete no IML, especialmente na região Norte do estado, que tem Passo Fundo como referência e cobre 149 municípios. Mauro lembrou que, dos seis postos médicos legais da região, dois foram fechados por falta de efetivo e outros funcionam com restrições. “Carazinho tem dois legistas, mas não tem técnico, então as necrópsias acabam vindo para Passo Fundo”, explicou. Com os plantões sendo regionais, corpos precisam ser deslocados por longas distâncias, o que prolonga a espera das famílias.
O comentarista destacou ainda que a sobrecarga de trabalho atinge diretamente a população, tanto na resolução de crimes quanto na liberação de corpos para sepultamento. Ele defendeu a realização de concursos públicos como única solução para enfrentar o problema. “Só se melhora isso com concurso”, afirmou, alertando para o agravamento da sensação de impunidade e o desrespeito aos familiares em momentos de luto.
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