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Cidade

Desemprego cai no Brasil e Passo Fundo acompanha tendência com saldo positivo de ocupações formais e informais

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 7,1% no segundo trimestre de 2025, atingindo o menor índice desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2012. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e refletem uma melhora generalizada no mercado de trabalho. Diante do cenário nacional, surgem dúvidas sobre a realidade em municípios de médio porte, como Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul.

Responsável pelo IBGE no município, Jorge Bilhar explicou, em entrevista à Rádio Uirapuru, que Passo Fundo tem apresentado um cenário de crescimento e geração de empregos. Segundo ele, os levantamentos regionais mostram um saldo positivo na ocupação de vagas e na instalação de novas empresas e indústrias, com destaque para o setor de comércio. De acordo com Bilhar, há uma demanda constante por trabalhadores, mas também desafios relacionados à qualificação profissional, o que impede, muitas vezes, a contratação imediata para determinadas funções.

Bilhar destacou que o levantamento do IBGE é feito por meio de visitas presenciais em domicílios selecionados por amostragem em 12 municípios da região. Essa metodologia permite observar tanto a ocupação formal quanto a informal, incluindo trabalhadores autônomos, empreendedores sem registro e pessoas que exercem atividades sem vínculo empregatício. Conforme afirmou, além dos números positivos atuais, há uma preocupação com a formação de mão de obra, o que se tornou um fator limitante em algumas áreas.

Na avaliação de Bilhar, o crescimento do emprego em Passo Fundo e em outras regiões do país está relacionado ao desenvolvimento econômico local e à diversificação das atividades produtivas. Ele explicou que o IBGE acompanha a trajetória das pessoas economicamente ativas ao longo de cinco visitas domiciliares, analisando se estão empregadas, procurando trabalho ou fora do mercado. Os dados incluem áreas urbanas, rurais, centrais e periféricas, o que amplia a representatividade da pesquisa. Bilhar também alertou que a recente taxação sobre produtos exportados pode impactar diretamente o nível de emprego, especialmente em estados como Rio Grande do Sul e São Paulo, onde setores como calçados, carne e celulose têm forte vocação exportadora.

Com relação à população com carteira assinada em Passo Fundo, Bilhar informou que aproximadamente 47% da população economicamente ativa está nessa condição. No entanto, o IBGE também contabiliza trabalhadores informais e autônomos. Segundo ele, há um número crescente de pessoas que optam por não ter vínculo formal, inclusive para continuar recebendo benefícios como o seguro-desemprego. Ele observou que a informalidade também se expressa por meio de trabalhadores que atuam por conta própria, como diaristas e profissionais da construção civil.

Sobre o segundo semestre de 2025, Bilhar afirmou que o IBGE já iniciou o levantamento referente ao terceiro trimestre, que inclui os meses de agosto, setembro e outubro. A expectativa é de que os efeitos da taxação de exportações e de fatores climáticos, como os prejuízos ao agronegócio, comecem a aparecer nos próximos dados. Ele acrescentou que Passo Fundo poderá sentir os impactos especialmente em empresas com foco na exportação. Ainda assim, até o momento, os indicadores seguem positivos, e será por meio das próximas visitas domiciliares que o IBGE identificará mudanças no perfil de ocupação e renda das famílias.