Skip to content

Inflação dos alimentos pressiona restaurantes e reduz margem de lucro, avalia empresário de Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Valdir Mello
Imagem não disponível

A alta nos preços dos alimentos tem exigido esforços constantes de donos de restaurantes para equilibrar custos, qualidade e fidelização dos clientes. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o sócio-proprietário do Equiassado Restaurante, Giovane Granville, relatou os impactos da inflação no dia a dia do negócio e as estratégias adotadas para manter o funcionamento sustentável.

Granville afirmou que os custos de produção aumentaram significativamente nos últimos meses, sobretudo no que se refere à carne vermelha, ao peixe, ao arroz e aos produtos hortifrutigranjeiros. Segundo ele, há uma dificuldade constante em repassar os aumentos de preço ao consumidor, o que acaba afetando diretamente a margem de lucro.

“A margem vem retraindo cada vez mais. Isso já vem desde a pandemia e a gente está com bastante dificuldade”, relatou.

Além do aumento nos custos, o empresário também notou uma mudança no comportamento dos consumidores. De acordo com Granville, o movimento no restaurante tende a cair após o dia 20 de cada mês. “O pessoal fica sem dinheiro. A gente sente uma queda em torno de 20%”, disse.

Para lidar com os custos mais altos, o restaurante tem buscado negociar diretamente com atacadistas e indústrias, fazendo compras em grande quantidade e com pagamento à vista. “A gente compra em maior volume para conseguir preço e ser competitivo no mercado”, explicou.

Granville disse que, em alguns casos, é possível substituir ingredientes por alternativas mais acessíveis. No entanto, ressaltou que determinados itens são indispensáveis para a identidade do restaurante. “O nosso carro-chefe é o filé de peixe. Não tem como substituir. O dólar sobe, ele sobe junto, mas é um prato que o cliente já espera encontrar”, afirmou.

A relação com os fornecedores, conforme o proprietário, tem sido de parceria. Segundo ele, o diálogo é constante para garantir a continuidade dos negócios. “Eles também são afetados pela queda nas vendas. A gente tenta manter os mesmos fornecedores e acaba que se ajuda. Tira daqui, tira dali, bonifica alguma coisa para manter a parceria”, disse.

O restaurante tem evitado repassar reajustes aos clientes sempre que possível, mas em alguns momentos a atualização dos preços se torna inevitável. “Cerca de 30 dias atrás tivemos que fazer um reajuste. Foi comunicado que a partir do dia 1º teria aumento. Chega uma hora que não tem mais o que fazer”, relatou.

Granville afirmou que, com o aumento da inflação, muitos clientes também mudaram a forma de consumir. “Tem bastante gente que antes comia buffet livre e hoje opta pelo quilo. Vê se não vai ser uma opção melhor. Antes não fazia tanta questão”, explicou.

Segundo o empresário, até o momento, nenhum prato precisou ser retirado do cardápio por causa da alta nos custos. Sobre as perspectivas para os próximos meses, ele declarou estar preocupado com o cenário. “A inflação e a alta dos produtos preocupam muito. E isso afeta também a frequência dos clientes. Se está caro, o pessoal acaba não vindo almoçar”, avaliou.

Apesar das dificuldades, Granville reforçou que segue com otimismo. “A gente sempre tem esperança de que as coisas vão melhorar. Trabalhamos dia a dia para levar a melhor comida aos clientes e que tudo volte ao normal”, concluiu.

Notícias Relacionadas