Frequência, duração, intensidade e reciprocidade são essenciais para laços de amizade e também naquele que diz não na hora certa
Existem quatro pilares essenciais para construir e manter relações significativas com as pessoas: frequência, duração, intensidade e reciprocidade. A frequência com que nos comunicamos fortalece o vínculo, enquanto a duração da amizade consolida a confiança. No entanto, é a intensidade do relacionamento que define seu verdadeiro impacto – o quanto essa pessoa é importante, como ela influencia minha vida e de que maneira nossa conexão é genuína. Além disso, a reciprocidade é fundamental: uma amizade deve ser construída com empatia, mutualidade e equilíbrio, para que não se torne unilateral e gere frustração.
No mundo virtual, também é possível cultivar amizades profundas, mas isso depende de como e onde essas relações se desenvolvem. Algumas redes sociais favorecem conexões mais autênticas, enquanto outras podem ser superficiais ou até mesmo tóxicas. É preciso discernimento para navegar nesse universo, que, apesar de suas oportunidades, também pode ser perigoso e perverso quando não há limites claros. O tema sobre amigos e amizades foi debatido no programa Sem Segredo de sábado, que contou com a presença da psicóloga e professora da Pós-graduação da UPF, Marisa Kuhn e com o design e professor do curso de Ciências da Computação da Atitus Alan Mafalda.
Ambos concordam que a amizade verdadeira tem premissas que devem nortear essa relação, tanto no virtual, quanto no presencial.
Alan Mafalda explica que as redes sociais possuem uma dinâmica muito particular. O modelo de negócios dela é vender publicidade e manter o máximo de pessoas engajadas. Elas não têm o objetivo de promover amizades de qualidades. No Reino Unido, por exemplo, uma grande parte de pessoas se sentem sociais mesmo conectadas. A grande armadilha das redes sociais é reunir pessoas que pensam iguais sobre religião, política ou engajadas em assunto que não tem a ver com a vida pessoal de cada um.
A psicóloga Marisa Kuhn reforça que no meio virtual, as pessoas não aprecem como exatamente são e por isso, talvez fique mais fácil se relacionar com o máximo de pessoas. Neste ambiente, o sujeito cria o personagem que quer. Já no ambiente presencial ou real do relacionamento humano, as coisas são diferentes. Para a professora, amigo de verdade não é aquele que só agrada o outro. Amizade verdadeira é aquele que diz você está errado.