Editorial do Jornal Troca-Troca desta sexta-feira (25): Polícia Federal: Uma polícia de governo ou uma polícia de Estado?
É fundamental que instituições de Estado sejam respeitadas e protegidas, garantindo a segurança e a justiça para todos. Uma polícia de governo seria o caso desta instituição ser subordinada, submissa a vontade do governante da hora no poder. Uma polícia de Estado é aquela que é do país, do Brasil, independente do partido ou pessoa que esteja de governante; tendo como missão proteger a nação como um todo e jamais direcionará uma investigação dada por viés particular de quem está de Presidente. Por isso Polícia Federal é exemplo e excelência de organismo a serviço de todos os Brasileiros. Em épocas passadas, como durante as operações relacionadas ao esquema criminoso conhecido como “Mensalão” – nas quais membros do governo figuraram como investigados – a Polícia Federal foi alvo de duras críticas e falsas acusações de agir a mando de opositores.
No cenário atual, pouco mudou. Apenas os críticos se inverteram: agora, partidos de oposição acusam a Polícia Federal de agir contra Bolsonaro e seus aliados.
Chegou-se ao mais alto nível do absurdo quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro ameaçou claramente, através de suas redes sociais, o delegado de Polícia Federal, que está à frente das investigações contra o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
É irônico: todos desejam instituições policiais idôneas e cumpridores dos ditames legais. No entanto, muitos que se dizem defensores da moralidade são os primeiros a questionar ou atacar a polícia quando esta age contra eles. Querem uma polícia justa – mas apenas para os outros; para si, exigem favores e privilégios.
Isso tudo me faz pensar: e se o golpe de Estado tivesse tido sucesso, com apoio de parte da sociedade organizada? Estaríamos repetindo o erro cometido em 1964, quando o golpe militar – também com apoio popular – resultou em repressão, mortes e desaparecidos. Quando a sociedade percebeu os abusos, já era tarde: os militares permaneceram no poder por duas décadas.
Considerando que o deputado federal Eduardo Bolsonaro buscou apoio dos EUA para impor tarifas ao Brasil, visando interesses pessoais – como a anistia de seu pai – a população brasileira acabará arcando com os prejuízos econômicos severos. E não podemos esquecer que esses mesmos atores estavam envolvidos na tentativa de golpe. Acreditar que, uma vez no poder, promoveriam novas eleições é uma ilusão.
Em conta disso é que temos que ter instituições fortes e independentes para a manutenção da ordem e da segurança nacional. A Polícia Federal é uma instituição de Estado, acima de interesses partidários, e deve atuar com imparcialidade.
A sua independência é essencial para que investigações ocorram sem interferência política, alcançando qualquer cidadão, inclusive o presidente da República. Os ataques promovidos por grupos insatisfeitos com as investigações têm como objetivo minar a credibilidade da instituição. Se a Polícia Federal se tornar politizada ou sofrer interferências indevidas, toda a estrutura da justiça poderá ser comprometida. Apesar disso, acredito que a PF continuará firme, como fez ao longo de vários governos, mantendo sua postura diante de qualquer autoridade que se julgue acima da lei. Porque a lei é para todos.