Motorista com 45 anos de estrada critica pedágios, combustíveis e descaso com a categoria
O Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, destaca a importância dos profissionais que movem o Brasil sobre rodas. A data homenageia motoristas de todas as categorias e remete a São Cristóvão, padroeiro da classe. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o caminhoneiro Ângelo Alérico, com 45 anos de estrada, relatou as dificuldades da profissão e a realidade enfrentada nas rodovias brasileiras.
Segundo Ângelo, mesmo após diversas manifestações da categoria nos últimos anos, poucas mudanças efetivas foram percebidas. Ele afirmou que as paralisações não têm surtido efeito e que a expectativa de melhorias é baixa enquanto “os governantes não mudarem o sistema de trabalho do motorista autônomo”. Entre os principais pontos de insatisfação, ele destacou os altos custos com combustível e pedágios, que impactam diretamente no rendimento da atividade.
A obrigatoriedade de 11 horas de descanso ininterruptas foi outro ponto criticado. De acordo com Ângelo, a norma desconsidera a dinâmica do transporte e atrasa as entregas. “Além de levar multa, nós é obrigado a ficar 11 horas parado com o tacógrafo girando, depois voltar a se apresentar com o agente fiscalizador”, relatou. Ele defende a volta ao limite anterior, de oito horas, como já solicitado pela categoria.
O caminhoneiro também mencionou a falta de eficácia na atuação dos sindicatos e o descumprimento da tabela de frete. Segundo ele, a remuneração do transporte é definida pela oferta e procura, e muitas transportadoras acabam ficando com uma parte significativa do valor do frete. “Ela devia pagar no mínimo R$ 38 ou R$ 40 por tonelada. Mas acaba pagando R$ 30, ficando com 25% ou 30% do valor que seria nosso”, exemplificou.
A insegurança nas estradas foi apontada como um dos principais problemas atuais. Ângelo relatou o aumento de furtos de módulos eletrônicos de caminhões em Passo Fundo e região, com prejuízos que podem ultrapassar R$ 70 mil. Ele pretende organizar uma reunião com o vice-prefeito e representantes da Polícia Federal para tratar do assunto e cobrar ações efetivas. “O cara chega de noite e rouba no pátio de um posto, dormindo, daí tu não percebe”, relatou.
Com 65 anos de idade, Ângelo comentou que pretende reduzir as viagens de longa distância e trabalhar mais próximo de casa. Disse ainda que os jovens demonstram pouco interesse pela profissão, devido às longas jornadas e à ausência de vida social. “Hoje as empresas já estão com caminhões parados por falta de motoristas”, alertou. Ao final, deixou uma mensagem pelo Dia do Motorista e reforçou o pedido por mais segurança e valorização da categoria.