Agro: setor que melhor reage à crise
Segundo dados da Ocergs, tradicionalmente, janeiro é um mês de menor movimentação comercial para o agronegócio gaúcho. Isso ocorre em razão de haver menor disponibilidade de produtos agrícolas para a exportação e porque a demanda externa está mais voltada para a safra norte-americana. Contudo, comparativamente aos anos anteriores, o volume embarcado em 2017 pode ser considerado elevado.
Particularmente no complexo soja, o volume exportado foi significativamente superior ao de janeiro de 2016 (164 %), movimento explicado pelas vendas do grão. Foram comercializadas mais de 300 mil toneladas de soja, o que representa uma alta de 428,2%.
Em janeiro de 2017, ainda segundo a entidade, os cinco principais setores exportadores do agronegócio foram: complexo soja (US$ 234,8 milhões), carnes (US$ 163,6 milhões), produtos florestais (US$ 86 milhões), cereais, farinhas e preparações (US$ 56,7 milhões) e fumo e seus produtos (US$ 48,1 milhões).
Entre os principais setores, os de produtos florestais e de fumo e seus produtos foram os únicos que apresentaram queda nos valores e volumes embarcados. O resultado do mês de janeiro foi condicionado pelo incremento nas exportações do complexo soja (mais US$ 150,7 milhões; 179,3%), das carnes (mais US$ 43,1 milhões; 35,8%) e dos cereais, farinhas e preparações (mais US$ 10,1 milhões; 21,7%).
Por outro lado, as maiores quedas no valor exportado ocorreram nos setores de fumo e seus produtos (menos US$ 10,6 milhões; -18,0%) e produtos florestais (menos US$ 7,0 milhões; -7,5%). Os principais destinos das exportações do agronegócio gaúcho em janeiro deste ano foram China (29,1%), União Europeia (15,6%), Coreia do Sul (7,5%) e Rússia (4%). Esses destinos concentraram 56,3% das exportações do setor em janeiro.
A China foi responsável pelo maior incremento absoluto em valor (mais US$ 123,3 milhões; 167,4%), seguida da Coreia do Sul (mais US$ 19,4 milhões; 61,4%), da União Europeia (mais US$ 17,0 milhões; 19,1%) e da Indonésia (mais US$ 15,4 milhões; 1.013,4%).
As elevações nas vendas para a China e a União Europeia concentraram-se no complexo soja; enquanto, para a Coreia do Sul, o setor que apresentou maior crescimento foi o de cereais, farinhas e preparações, sobretudo o trigo.
Tudo isso é prova da representatividade extremamente positiva, segundo o presidente da Ocergs, Vergilio Frederico Perius: “o setor agrário é o que responde mais rapidamente em qualquer momento de uma crise, porque a matéria-prima é gerada, a matéria-prima é nossa, não depende de mercados nacionais ou internacionais”, explica. Para Perius, quando se gera matéria-prima que vai para outro mercado, seja internacional, em forma de commodities, ou para a agroindustrialização interna para depois ser exportada e comercializada em outros estados, permite exatamente essa possibilidade de uma reação econômica mais rápida. “Por isso estamos crescendo no PIB. Por isso o setor agropecuário continua crescendo. E no setor cooperativo não surpreende isso, porque a crise é um insumo para as cooperativas crescerem”, destaca.
De acordo com ele, é nas dificuldades que as pessoas se unem mais e essa união maior de cooperativas gera maior investimento, mas um investimento mais seguro, com mais cautela, “mas sem deixar de investir também em novas atividades. Então me parece que conjugando o verbo cooperar e o produzir faz com que a agricultura tenha essa força e essa representa- ção em nosso estado”, avalia o presidente da Ocergs.
Representatividade das cooperativas
Neste contexto de união para fugir ou minimizar os efeitos da crise, tanto os setores de agricultura e pecuária se beneficiam da existência das cooperativas como estas entidades crescem junto com eles. “Estamos crescendo. O setor agropecuário cresce e o setor cooperativo cresce junto. Cerca de 60% do que é produzido no estado é produzido por algum sócio de cooperativa e as cooperativas do agro cresceram em torno de 12%.
No conjunto, as cooperativas cresceram 15% no último ano. Então há um crescimento formal, forte, ligado exatamente a esta proposta de geração mais rápida, de reação mais rápida que o agronegócio pode oferecer e de outro lado o cooperativismo impulsionando a economia agropecuária”, ressalta Perius.
Expodireto, uma vitrine
Se, por um lado, os produtores precisam mostrar o que está acontecendo no campo, de outro, precisam saber o que há de novidade que possa incrementar ainda mais a produção. Para Vergilio Francisco Perius, esse é o papel da Expodireto: “a feira auxilia o agronegócio gaúcho porque é a vitrine.
A resposta ao maior investimento no campo é a produtividade e a apresentação de bens e serviços para o produtor, via Expodireto, com as máquinas agrícolas, equipamentos e todas essas inovações tecnológicas acelera o processo da integração, como se fosse um trabalho quase que acadêmico e universitário, de troca de ideias entre quem produz e quem oferta”, explica.
Por isso, considera a feira a “grande universidade do saber, da inovação tecnológica, onde os produtores se encontram com os que produzem essas inovações”, completa.