Tragédia em escola de Estação choca o RS e acende alerta sobre saúde mental na adolescência, afirma psiquiatra
Na manhã desta terça-feira (08), uma tragédia abalou o município de Estação, na região norte do Estado. Um adolescente de 16 anos invadiu a Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi e atacou três crianças e uma professora com um facão. Um óbito foi confirmado: trata-se do menino Vitor André Kungel Gambirazi, de 9 anos. As demais vítimas foram encaminhadas a hospitais e seguem em atendimento.
Com o objetivo de compreender cientificamente o que ocorre em situações como essa, a Rádio Uirapuru conversou com o médico psiquiatra Dr. Érico Hecktheuer, que apresentou alguns pontos importantes sobre os traumas deixados por esse tipo de violência na vida das pessoas atingidas.
De acordo com o especialista, pelas informações preliminares disponíveis, o agressor apresenta indícios de problemas mentais, como alucinações ou mesmo esquizofrenia. Em muitos casos, pacientes com esse tipo de transtorno acreditam estar sendo perseguidos ou ameaçados, construindo uma realidade paralela, o que é característico dessas doenças.
Dr. Érico ressalta que, em transtornos mentais graves, a pessoa perde o juízo de realidade e não consegue conter os impulsos, o que a torna mais suscetível a cometer atos extremos. No entanto, o médico destaca que não é comum que pessoas com doenças mentais ataquem outras; na maioria dos casos, elas acabam se prejudicando a si mesmas.
Hecktheuer frisa a importância de os pais e responsáveis observarem atentamente o modo como os jovens vivem e se comportam, pois, geralmente, já há sinais prévios indicando que algo não está bem.
Outro ponto levantado pelo especialista é a influência das telas e, principalmente, dos jogos eletrônicos. Esses fatores podem se tornar ainda mais problemáticos para jovens vulneráveis, especialmente aqueles que vivem em contextos familiares frágeis. Nessas situações, os riscos se intensificam, aumentando a possibilidade de agravamento dos problemas mentais.
O psiquiatra acrescenta que, para os pais do agressor, o momento é extremamente difícil, pois a responsabilidade e o peso do ocorrido serão carregados para o resto da vida. Em uma comunidade pequena como Estação, onde todos se conhecem, o impacto é ainda maior.
Dr. Érico finaliza destacando que os pais precisam estar cada vez mais atentos à rotina e às emoções dos filhos. Por meio dessa proximidade, é possível perceber sinais de que algo está errado. À medida que se estabelece uma relação de confiança com os filhos, o comportamento deles tende a revelar, de forma sutil ou evidente, que há algo preocupante acontecendo.
Ouça a entrevista realizada: