Passo Fundo registra o maior volume de chuvas para junho desde 1951
O mês de junho está se despedindo com os maiores volumes de chuva acumulada da história de Passo Fundo. Dados trazidos na manhã de ontem (30) pelo observador meteorológico Ivengdonei Sampaio, apontam que Passo Fundo teve oficialmente 418 milímetros, registrados pelo Instituto Nacional de Meteorologia, o maior da história desde 1951. Foram 16 dias de chuva ao longo do mês. Somente no último sábado até o amanhecer de domingo foram 108 milímetros.
A Prefeitura de Passo Fundo mantém um conjunto de estações meteorológicas, instaladas após a tragédia de 2024, em diferentes pontos da cidade. Estes equipamentos são utilizados para medir a chuva e traçar ações a serem adotadas na prevenção a alagamentos.
Uma das estações, instalada no Distrito de São Roque, registrou 470 milímetros neste mês de junho. Na Transbrasiliana foram 428 milímetros. No Pulador 482 milímetros. Em Sede Independência foram 486 milímetros totais e no Bairro Victor Issler foi o maior volume, 559 milímetros somados em junho.
A variação entre as estações é explicada porque a chuva não é uniforme e as extensões que separam as estações, em alguns casos, superam os 10km. De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Passo Fundo, Fernando Bicca, essa diferença é comum e influenciada por fatores como relevo, tipo de edificação e proximidade de rios. “Em alguns dias, uma estação registra volumes maiores; em outros, essa situação se inverte. Os dados variam conforme as condições locais de cada região”, explicou em entrevista à Rádio Uirapuru.
Segundo ele, em junho, a estação com menor volume foi a do bairro Entre Rios, localizada na rua Lobo da Costa, enquanto o maior índice pluviométrico foi registrado na rua Quinto Giongo, no bairro Victor Issler. Essas variações ajudam a compor um panorama detalhado das áreas mais atingidas e orientam o trabalho preventivo da Defesa Civil. Com base nos dados das estações, o órgão realiza o cruzamento das informações de precipitação com o nível do rio Passo Fundo. “Tivemos uma variação de 2 metros e 44 centímetros no nível do rio no último fim de semana. Isso não causou maiores problemas porque conseguimos fazer ações urgentes de desassoreamento no momento necessário”, destacou Bicca.
Entre sábado e domingo, com o registro de mais de 150 milímetros de chuva, a Defesa Civil atendeu nove ocorrências, sendo seis de alagamento parcial e três de entrega de lonas. Não houve necessidade de retirada de famílias de suas residências. Segundo o coordenador, as últimas remoções de moradores por conta de alagamentos aconteceram em setembro e novembro de 2023. “Depois disso não tivemos mais. Nosso relevo favorece o escoamento rápido da água e realizamos ações de canalização e desassoreamento que garantiram um conforto maior”, afirmou.
Sobre a possibilidade de que volumes extremos de chuva se tornem frequentes, Bicca afirmou que não há confirmação científica sobre um “novo normal”, mas que as informações disponíveis apontam para a alternância de períodos de muita chuva e frio intenso.
Para melhorar o uso dos dados gerados pelas estações, a Prefeitura deve realizar uma reunião técnica nesta semana com geógrafos, topógrafos e outros profissionais. O objetivo é definir estratégias que permitam interpretar com mais precisão as informações meteorológicas e aprimorar as ações preventivas. “Temos um instrumento extremamente valioso em mãos, que são esses dados, e estamos buscando meios de utilizá-los de forma mais eficiente”, concluiu o coordenador.